ESTREIA–Suspense “À Procura” derrapa no tom e na credibilidade

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014 16:08 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Seja lá o que for que tinha em mente ao fazer “À Procura”, o diretor canadense de origem armênia Atom Egoyan passa bem longe daquilo de que foi capaz em seus filmes mais contundentes – seja em “Exótica”, “O Doce Amanhã” e “O Fio da Inocência”.

No novo longa, ele volta a um assunto que lhe é caro: um único evento desencadeando uma espiral de infelicidade e culpa nos personagens que estão direta ou indiretamente envolvidos.

Como em seu trabalho anterior, “Sem Evidências”, o tema é o desaparecimento de uma criança: Cassandra (Alexia Fast), que é levada da caminhonete de seu pai, Matthew (Ryan Reynolds), enquanto ele a deixa por alguns segundos para comprar uma torta.

A cena, em sua recusa a ser explícita, é o que há de melhor no filme, que depois exagera nas justificativas e só falta desenhar para ser mais óbvio.

Não há mistério. Tudo se resolve facilmente na tela para que não haja tensão – apenas um grupo de personagens pouco profundos vagando pela paisagem gelada de Ontário.

O primeiro suspeito do sequestro é o próprio pai –até sua mulher, Tina (Mireille Enos), desconfia dele. Mas o filme nega esse suspense ao seu público, pois logo se sabe que a criança está presa a um quarto, sob a vigilância de Mika (Kevin Durand).

Os anos passam, o crime não é resolvido, e a garota é usada como isca na Internet para atrair a atenção de outras crianças. Entre um chat e outro com elas, a menina observa, pelas câmeras de segurança, sua mãe no hotel onde trabalha como camareira.

Nesse caso, desde o começo, estão a detetive Nicole (Rosario Dawson), que é perspicaz e racional e, ao mesmo tempo, delicada, e seu parceiro, Jeffrey (Scott Speedman), seu oposto – ou seja, o clichê do gênero. Ficam anos na investigação, mas nada se resolve.

É uma trama banal, de um assunto que já se viu várias vezes e mais bem abordado, escrita pelo próprio diretor e David Fraser, que fica girando em falso, se reiterando porque não tem muito a dizer. Para tentar disfarçar essa fragilidade, Egoyan, lá pela metade do filme, começa a embaralhar o tempo, misturando cenas do presente e do futuro – uma tentativa de sofisticação que o filme não comporta.   Continuação...