ESTREIA-Fábio Porchat é o que salva a comédia "Meu Passado me Condena 2"

quarta-feira, 1 de julho de 2015 17:25 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Diante da atual conjuntura das sequências de comédias cinematográfica atual – como “Divã a 2” e “Qualquer Gato Vira-Lata 2” – ,“Meu Passado Me Condena 2” se sobressai um pouco. Não que seja bom – longe disso – mas, ao menos, cumpre com o que promete: provoca algumas risadas, apelando bem menos que os outros concorrentes em termos de machismo e clichês.

Atacando por todos os lados – livro, cinema, televisão e teatro –, “Meu Passado...” parte de uma ideia tão antiga quanto o casamento: homem e mulher tendo de viver sob o mesmo teto, manter acesa a chama do amor, apesar das diferentes formas de ver o mundo e a vida.

Fábio (Fábio Porchat) e Miá (Miá Mello) estão casados há três anos. Enquanto ela é responsável e parece carregar sozinha a casa, as contas e o relacionamento, ele trabalha como animador de festas com o pai. Quando ele esquece do aniversário de casamento, ela chega ao seu limite e resolve se separar.

Mas, no exato momento, ele recebe uma ligação dizendo que o avô (Antônio Pedro) em Portugal ficou viúvo, e Fábio vê a chance de reconquistar sua mulher usando o momento de luto. Juntos viajam para a Europa para acompanhar o funeral. Lá, o rapaz reencontra Ritinha (Mafalda Rodiles), sua namorada de infância, e Álvaro (Ricardo Pereira), seu rival na época, que agora é noivo da moça.

Com direção de Julia Rezende – responsável pelo primeiro filme, e, mais recentemente, por “Ponte Aérea” – e roteiro de Tati Bernardi, Leandro Munis e Patricia Corso, este não é bem um filme que prima pela inteligência nos diálogos ou sagacidade nas situações.

Pelo contrário, seu humor vem das situações estapafúrdias em que os personagens se metem, especialmente quando Fábio tenta reconquistar Miá. O fiapo de narrativa que gruda uma cena à outra faz parecer uma sitcom de televisão alongada – excessivamente alongada, aliás, sem assunto para se sustentar em quase duas horas.

A sorte do filme é ter Porchat no elenco. O ator acerta quando é engraçado – ele é capaz de o ser mesmo quando tudo ao seu redor não o é, mais ou menos o caso aqui. Miá é uma presença carismática, mas geralmente está a serviço do humor dele, já que sua personagem parece não ter vida própria.

“Meu Passado...” quase consegue passar impune à onda machista que toma as outras duas comédias da temporada – quase! Não fosse o velho discurso de “mulher para casar” versus “mulher para namorar”. Em pleno 2015, tentar fazer humor ou se valer de forma positiva de uma ideia dessas é, no mínimo, retrógrado.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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