8 de Julho de 2015 / às 19:10 / 2 anos atrás

ESTREIA-"Cidades de Papel" aborda amadurecimento e amor na adolescência

Atores Nat Wolff (esquerda) e Cara Delevingne durante evento promocional do filme "Cidades de Papel", em Londres. 18/06/2015Suzanne Plunkett

SÃO PAULO (Reuters) - Há um pouco mais de um ano, "A Culpa É das Estrelas" (2014) transportava o fenômeno editorial alcançado pelo escritor John Green para o mercado cinematográfico.

A primeira adaptação de um de seus livros conseguiu, mesmo com um orçamento modesto de 12 milhões de dólares, arrecadar 307 milhões de dólares nas bilheterias ao redor do mundo e emocionar a maioria do público.

Por isso, "Cidades de Papel" (2015), o mais novo filme baseado em uma obra do autor, chega aos cinemas com todo o marketing remetendo ao longa "irmão" tão bem-sucedido.

Mas não se engane: embora se perceba o estilo de Green em ambas as histórias – tanto nas obras originais quanto nos derivados –, quem já leu as duas sabe que cada uma segue uma trilha diferente.

O drama do ano passado, dirigido por Josh Boone, retratava o relacionamento de dois jovens com câncer, que tiveram a infância e adolescência alteradas pela doença; e apesar, ou por causa, de todo o sentimentalismo, era mais universal, principalmente por conta de seus carismáticos protagonistas.

A produção que estreia agora, com a direção de Jake Schreier, está mais para um filme de formação, sobre amadurecimento – com todos os clichês da temática adolescente e a desconstrução de alguns deles, com o tom de comédia predominando sobre o romance.

Pelo ponto de vista de Quentin Jacobsen (Nat Wolff), um garoto de Orlando – terra natal do escritor – prestes a se formar no ensino médio, o espectador conhece sua vizinha, a bela e misteriosa Margo Roth Spiegelman (Cara Delevingne).

Amigos quando crianças, os dois acabaram se afastando com o passar dos anos, mas ele continua platonicamente apaixonado por ela. Então, quando em uma noite, a garota invade seu quarto pela janela, como nos velhos tempos, e pede sua ajuda em um plano de vingança juvenil contra a traição de seu ex-namorado e das amigas, Q – como é chamado pelos mais íntimos – não pensa duas vezes e parte para a aventura.

No entanto, Margo, cujas escapadas durante a adolescência se tornaram comuns e até lendárias, some do mapa depois daquela noite. O apaixonado vizinho acredita que as pistas que ela sempre deixa estão, desta vez, destinadas a ele, por ser a última pessoa que esteve com a jovem.

A partir daí, ele se lança a uma investigação e até a uma viagem para descobrir seu paradeiro, contando com o auxílio dos amigos Ben (Austin Abrams) e Radar (Justice Smith), além da participação da namorada do último, Angela (Jaz Sinclair), e de Lacey (Halston Sage), uma das garotas mais populares do colégio e ex-BFF – gíria proveniente do inglês para melhores amigas “eternas” – de Margo.

Nesta parte, que, por sinal, é o segmento mais interessante do best-seller, como também do longa ao embarcar no filme de estrada, há um desenvolvimento extra em relação ao livro.

Se em “A Culpa é das Estrelas”, Scott Neustadter e Michael H. Weber – de “(500) Dias Com Ela” (2009) e “O Maravilhoso Agora” (2013) – faziam uma adaptação praticamente literal, agora, repetindo a parceria com Green, parecem já ter mais liberdade com o autor para um roteiro mais livre, ainda que fiel à estrutura e ao espírito da obra original.

Por fim, em uma obra que se propõe a abordar as implicações das projeções que as pessoas fazem dos outros e de si mesmos, é melhor não criar expectativas quanto a ela, baseadas no livro ou no longa de sucesso do ano anterior.

Abrace “Cidades de Papel” do jeito que ele é e decida por si só o quanto o filme é de “papel” e o quanto se trata de um retrato sincero e nostálgico do fim da adolescência.

(Por Nayara Reynaud, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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