ESTREIA-Em "Sentimentos que Curam", família tenta lidar com problemas emocionais

quarta-feira, 15 de julho de 2015 16:45 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A ação de "Sentimentos que Curam" passa-se nos anos de 1970 e, dessa forma, ecoa os movimentos sociais e as mudanças radicais da década anterior. O pai com transtorno bipolar – interpretado por um Mark Ruffalo que empolga e “irrita” na medida certa – talvez seja, na verdade, a representação de uma dificuldade masculina em se reajustar a esse novo mundo.

Por um lado, ele é um excêntrico que precisa cuidar das filhas pequenas; por outro, ele é um homem lutando contra problemas emocionais sérios.

Escrito e dirigido pela cineasta estreante Maya Forbes, o longa parece um toque autobiográfico, retratando o reajustamento social e emocional que se fez necessário naquela década. Cam (Ruffalo) e Maggie (Zoe Saldana) conheceram-se em Harvard, no fim dos anos de 1960.

Logo se apaixonaram, casaram, ele trabalhou um pouco com televisão, mas sua condição cada vez mais severa foi uma limitação em sua carreira, conforme explica a filha mais velha, Amelia (Imogene Wolodarsky), no começo da história.

A entrada do personagem no filme não poderia ser mais triunfal: vestindo apenas uma cueca vermelha, ele se joga na frente do carro para impedir que a mulher e as crianças o deixem.

Este aparenta ser apenas mais um ataque entre tantos outros, e o olhar assustado de Maggie dá a entender que não é o primeiro, e, talvez, nem o mais grave. E quando finalmente Cam está se tratando numa clínica, ela se desdobra para manter a casa, sem muita ajuda da família rica dele.

Quando ela é aprovada para cursar um mestrado em Nova York, surge o dilema de o que fazer com as crianças. A saída é deixá-las sob os cuidados de Cam, com a aprovação do médico dele e o receio das meninas.

Se num primeiro momento, tudo se dá aos trancos e barrancos, aos poucos, Cam se ajusta e se revela um pai cuidadoso, que tenta contornar suas questões emocionais. Suas flutuações de humor são um problema com as quais todos precisam lidar.

A ausência de Maggie era um complicador, mas, afinal, torna-se um catalisador para a aproximação entre os pais e as filhas.   Continuação...

 
Ator Mark Ruffalo concede entrevista coletiva no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá, no ano passado. 08/09/2014 REUTERS/Fred Thornhill