China devolve passaporte a artista dissidente Ai Weiwei após 4 anos

quarta-feira, 22 de julho de 2015 10:37 BRT
 

Por Sui-Lee Wee

PEQUIM (Reuters) - O artista dissidente chinês e defensor da liberdade de expressão Ai Weiwei disse nesta quarta-feira que as autoridades de Pequim devolveram seu passaporte, mais de quatro anos depois de ter sido confiscado quando ele ficou preso por um período de 81 dias em local secreto.

Ai, de 58 anos, disse à Reuters por telefone que a polícia encarregada do controle de entrada e saída no país, que emite passaportes para os cidadãos chineses, o chamou nesta quarta-feira de manhã para devolver o passaporte.

A surpreendente decisão ocorre num momento de aprofundamento da repressão sobre a sociedade civil na China. Com o passaporte, ele agora poderá ver uma retrospectiva de sua obra no Royal Academy of Art, de Londres, em setembro. Com sua presença na exposição o país evita manchetes negativas indesejadas sobre a China na Grã-Bretanha um mês antes de o presidente Xi Jinping visitar o país.

Ai disse que está legalmente autorizado a viajar para fora da China, mas isso vai depender se outros países emitirem o visto. "Eu não estou surpreso porque, na realidade, por muitos anos eles disseram que iriam me devolver o passaporte", disse Ai. "Eles nunca disseram que nunca iriam entregá-lo, mas isso se arrasta há quatro anos."

O Ministério da Segurança Pública, encarregado do setor de passaportes, não respondeu a um pedido para comentar o assunto.

Em 2011, Ai foi detido sem qualquer acusação e mantido na maior parte do tempo em confinamento solitário, o que provocou um protesto internacional. Um tribunal mais tarde aplicou a ele uma multa de 2,4 milhões dólares por evasão fiscal.

O artista de renome mundial diz que as acusações de evasão fiscal foram forjadas em represália por suas críticas ao governo. Em novembro de 2013, ele começou a protestar contra sua proibição de viajar, colocando flores na cesta de uma bicicleta diante de sua casa e estúdio de Pequim. No Twitter, ele disse que iria fazer isso todos os dias até que "recuperasse o direito de viajar livremente". Na quarta-feira, ele disse que foram 600 dias.

(Reportagem adicional de Ben Blanchard)

 
Ai Weiwei durante entrevista à Reuters em Pequim.   24/03/2015 
REUTERS/Kim Kyung-Hoon