ESTREIA-"D.U.F.F." tenta, mas não consegue fugir dos clichês adolescentes

quarta-feira, 29 de julho de 2015 15:51 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O subgênero "high school", dos filmes centrados no ensino médio norte-americano, possui, quase como regra, os estereótipos presentes no ambiente escolar como força motriz de suas tramas.

Na realidade, é ingênuo acreditar que somente os jovens são tão cruéis uns com os outros. Mas como a adolescência é uma fase de nervos à flor da pele, em que os problemas parecem maiores do que já são, o velho hábito de rotular as pessoas e atribuir papéis pré-determinados a elas e a si mesmo se torna mais evidente nesta fase da vida.

Por isso, a protagonista de "D.U.F.F." (2015) inicia o filme falando sobre as mudanças nos paradigmas que diferenciavam, por exemplo, um nerd de um atleta, mas que os novos tempos trazem novas designações que ela viria a conhecer tardiamente, como a que dá título a esta comédia romântica adolescente, vagamente inspirada no livro homônimo de Kody Keplinger.

Às vésperas de terminar o colégio, Bianca Piper (Mae Whitman, de "Scott Pilgrim Contra o Mundo") fica sabendo, através de seu inconveniente vizinho e amigo de infância, o bonito jogador de futebol americano Wesley (Robbie Amell, o Nuclear da série "The Flash"), que é uma D.U.F.F., sigla em inglês para "Designated Ugly Fat Friend", que significa "amigo(a) designado(a) gordo(a) e feio(a)".

Mas o apelido não é tão literal em sua essência, já que, na realidade, é atribuído àqueles menos atraentes de um grupo, seja pela aparência comum, por terem menos dinheiro ou talento, e que geralmente servem para elevar a beleza ou status dos amigos e servirem como uma espécie de "informante" para os outros se relacionarem com seus colegas.

Refletindo sobre sua amizade com a aspirante a fashionista Jess (Skyler Samuels, da última temporada de "American Horror Story") e a esportista Casey (Bianca A. Santos, de "Ouija: O Jogo dos Espíritos"), a garota amante de filmes cult, especialmente de zumbis, com pouca vaidade e autoestima, acredita que sempre exercera este papel.

Ela resolve então romper com suas BFF's – esta, uma sigla em inglês bem mais conhecida para "melhores amigas" – e fazer um pacto com Wes para que ele a ajude a deixar de ser uma DUFF e tornar-se mais atraente, enquanto Bianca retribui com um reforço de ciências para o atleta não perder a sua bolsa para a faculdade. Daí para a frente, o espectador já pode imaginar o desenrolar.

A princípio, a produção parece reciclar e, ao mesmo tempo, se afastar dos clichês do subgênero, seja ao tornar tridimensional a figura do aparente atleta idiota em Wes ou quando leva ao ridículo o momento típico da transformação da garota à la Pigmaleão.

Referências à peça de George Bernard Shaw, inspirada no mito grego do escultor que se apaixonou por sua estátua e que inspirou o musical "My Fair Lady" (1964), já foram vistas em "As Patricinhas de Beverly Hills" (1995) e "Ela É Demais" (1999), por exemplo.   Continuação...

 
Atriz Mae Whitman posa na pré-estreia do filme "D.U.F.F.", em Hollywood, nos Estados Unidos. 12/02/2015 REUTERS/Mario Anzuoni