ESTREIA-Sem frescor do primeiro, "A Escolha Perfeita 2" investe na comédia

quarta-feira, 12 de agosto de 2015 16:15 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O show business internacional geralmente usa o termo em inglês “sleeper hit” para aqueles casos surpreendentes de músicas, filmes e afins que, apesar de um baixo orçamento de produção e marketing, ou uma fraca abertura, obtêm grande sucesso ao longo do tempo, muitas vezes pelo poder do boca-a-boca.

Exemplo recente disso é “A Escolha Perfeita” (2012), comédia inspirada no livro-reportagem de Mickey Rapkin sobre o mundo dos grupos universitários de canto à capela, algo tão forte nos Estados Unidos que, além de um campeonato internacional, existe até uma competição no reality show “The Sing Off”, exibido na NBC desde 2009 – sem falar nos corais, que ficaram ainda mais conhecidos após a série “Glee” (2009-2015).

Os 17 milhões de dólares gastos no longa de Jason Moore se transformaram em 65 milhões nas bilheterias norte-americanas e quase triplicaram no mercado internacional. Mas o melhor resultado veio mesmo nos mais de 100 milhões de dólares arrecadados na área de home video, mesmo em tempos de crise no segmento - e as visualizações do videoclipe de “Cups” – canção que chegou na parada da “Billboard” somente meses depois do lançamento –, interpretada pela atriz principal Anna Kendrick, que passam dos 225 milhões no YouTube.

É claro que um fenômeno destes não seria desperdiçado por Hollywood. Lançada em meados de maio nos EUA, “A Escolha Perfeita 2” (2015) faturou bem mais que a superprodução aclamada pela crítica “Mad Max: Estrada da Fúria” (2015) no final de semana em que ambas estrearam e, até então, já acumulou 284 milhões de dólares em todo mundo. Só agora o público brasileiro poderá conferir nas salas de cinema que, apesar do sucesso comercial, o filme tem os mesmo altos e baixos enfrentados pelas The Barden Bellas na trama.

O diverso grupo feminino à capela da fictícia Universidade de Barden, ao qual o espectador foi apresentado através do olhar da novata e alternativa Beca (Anna Kendrick) no primeiro filme, colhia os frutos do sucesso obtido nos últimos anos até um incidente em uma apresentação para o presidente Obama causar um escândalo que lhes tira a chance de participar das competições nacionais – e o que acontece com Fat Amy/Amy Gorda (Rebel Wilson) na história deixou de soar absurdo depois do que ocorreu com o cantor Lenny Kravitz na semana passada.

A solução encontrada por Chloe (Brittany Snow), agora líder das meninas, para não deixarem de cantar é ganhar o campeonato mundial, um feito nunca alcançado por uma equipe norte-americana e que parece ainda mais distante com a concorrência da sincronia imponente dos alemães do Das Sound Machine.

Paralelamente, Beca está mais desligada das suas funções no grupo, pois conseguiu um estágio em um estúdio de gravação com a intenção de focar no seu sonho de se tornar uma produtora musical. Enquanto isso, a novata Emily (Hailee Steinfeld), filha de uma antiga integrante das Barden Bellas, entra para a fraternidade, conforme o sonho de sua mãe, mas tem dificuldades para encontrar seu lugar.

Quanto à relação entre Beca e Jesse (Skylar Astin), ela se torna um elemento de composição da personagem e não recebe destaque como antes, já que os holofotes vão para o interesse romântico entre Emily e o acanhado Benji (Ben Platt) e a amizade colorida de Bumper (Adam DeVine) e Fat Amy.

Depois de chamar a atenção no primeiro longa, a personagem de Rebel Wilson ganha mais espaço agora, assim como as participações especiais recorrentes durante a narrativa – desde os jurados de um famoso reality show musical em uma cena pós-crédito imperdível e o grupo Pentatonix, ganhador de uma temporada do “The Sing Off”, até um série de apresentadores de TV e jogadores de futebol americano.   Continuação...

 
Atriz Anna Kendrick, do filme "A Escolha Perfeita 2", posa em Los Angeles.  8/5/2015.  REUTERS/Kevork Djansezian