ESTREIA-"Entourage: Fama e Amizade" potencializa hedonismo da série em história pouco convincente

quarta-feira, 19 de agosto de 2015 17:01 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O ator Mark Wahlberg inspirou-se em sua própria experiência em Hollywood com o seu bando de amigos/assistentes para produzir a série "Entourage", transmitida pela HBO, de 2004 a 2011, alternando a qualidade de suas temporadas, apesar dos constantes prêmios e indicações recebidos.

Quatro anos depois, ele e Doug Ellin, criador do programa, trazem o astro Vince Chase (Adrian Grenier) e seus quatro companheiros inseparáveis para o cinema. Inevitavelmente ou não, "Entourage: Fama e Amizade" (2015) é praticamente uma extensão do seriado; seu fracasso, porém, é ao não fazer, em seu episódio cinematográfico estendido, algo à altura dos melhores momentos do show televisivo.

A ação do longa ocorre dias depois dos acontecimentos do final da série. Entretanto, quem não acompanhou a história do grupo de amigos --uma amizade que beira a dependência--, que se apoiam em aventuras e desventuras na atraente e devoradora Los Angeles, logo se depara com a fictícia matéria do apresentador britânico Piers Morgan.

Recapitula todos os detalhes sobre o astro vindo do bairro nova-iorquino do Queens, seu melhor amigo e empresário Eric (Kevin Connolly), seu irmão mais velho e rei das participações nem tão especiais Johnny Drama (Kevin Dillon, que, na vida real, é o irmão de Matt Dillon), seu motorista Turtle (Jerry Ferrara) e seu agente Ari Gold (Jeremy Piven).

Depois do fim de um casamento de apenas nove dias, Vince deseja dar um passo além em sua carreira e não só atuar, mas também dirigir seu próximo projeto: uma releitura futurista de "O Médico e o Monstro", clássico de Robert Louis Stevenson. Uma produção arriscada e de alto orçamento, que só parou nas mãos dele porque Ari agora é diretor de um grande estúdio e apostou em seu garoto.

Mas, para conseguir realizar isso, Gold, tentando controlar sua raiva habitual, tem de garantir o financiamento do bilionário do ramo petroleiro, Larsen McCredle (Billy Bob Thornton), agradando o filho dele, Travis (o agora crescido Haley Joel Osment, de "O Sexto Sentido").

Além de servir para mostrar uma pobre caricatura texana, a subtrama é um dos vários ganchos da narrativa que se mostram ineficientes no esboço de roteiro escrito por Doug Ellin, que também dirige. Outro exemplo é a festa, cujo objetivo, a pré-exibição do filme fictício, não ocorre e serve só de desculpa para mais uma farra destes rapazes que parecem lutar para crescer.

Aliás, cada um deles tem sua própria preocupação aqui: Eric está na iminência de ser pai, enquanto lida com a ex-namorada grávida, Sloan (Emmanuelle Chriqui), e as mulheres que ele "não consegue evitar"; o agora magro e rico empresário Turtle tenta conquistar a lutadora de MMA Ronda Rousey – o quase relacionamento mais interessante da história, por causa do apelo dela com o público; e Drama tem a sua grande chance de brilhar no show business ameaçada – e isso, talvez, seja o que mais agrade aos fãs da série.

Ainda assim, os "mosqueteiros" do astro são mais autênticos do que o próprio D'Artagnan do Queens, cuja profundidade enquanto personagem é mínima. Não são mostradas, por exemplo, as dificuldades de Vince dentro do set ou, pelo menos, seus questionamentos, fora dele, sobre esta nova empreitada.   Continuação...

 
Ator Adrian Grenier posa na pré-estreia de "Entourage", em Los Angeles, nos Estados Unidos, em junho. 01/06/2015 REUTERS/Mario Anzuoni