Dez anos depois, Nova Orleans reflete sobre furacão Katrina

sábado, 29 de agosto de 2015 18:02 BRT
 

NOVA ORLEANS, Estados Unidos (Reuters) - Da Lower Ninth Ward ao Super Dome, Nova Orleans teve um dia cheio de eventos neste sábado para marcar o aniversário de 10 anos do furacão Katrina, pagando tributo às vítimas e uma homenagem à resistência da cidade diante do desastre.

Dignatários fizeram discursos para honrar os 1.500 mortos pela tempestade, bandas passearam pelas ruas e vizinhos juntaram-se em festas a céu aberto.

"É um gosto amargo. Queremos celebrar porque ainda estamos aqui, mas muitas pessoas não estão", disse Natasha Green, 46 anos, moradora da devastada Lower Ninth Ward na época da tempestade. "É importante lembrar o que passamos por aqui."

Sábado foi o fim de uma semana de reflexão sobre a tempestade que deixou 80 por cento da cidade norte-americana debaixo d'água e deslocou 130.000 moradores. Enquanto moradores e visitantes dizem que é difícil negar a recuperação de Nova Orleans, também houve o reconhecimento de que as áreas mais pobres, como Lower Ninth, ficaram para trás.

O dia começou com o prefeito Mitch Landrieu liderando um tributo sombrio pelas 83 vítimas "esquecidas", cujos corpos não foram reivindicados e jazem no mausoléu do Memorial do Furacão Katrina, em um dos cemitérios subterrâneos da cidade. Uma década depois do Katrina, 30 desses corpos ainda não foram identificados.

"Apesar de não terem nomes, eles não estão esquecidos, porque nós os reivindicamos", disse Landrieu, em uma manhã clara, com a calmaria que antecedeu a tempestade de 29 de agosto de 2005.

"Foram 10 anos de dificuldades", disse o prefeito, que esteve ao lado do governador da Louisiana, Bobby Jindal, e outros dignatários. "Mas Nova Orleans não se abate e não pode ser quebrada."

Ao redor da cidade, centenas reuniram-se em Lower Ninth Ward, em um gramado próximo à barragem do Canal Industrial, que rompeu dez anos atrás e causou algumas das principais enchentes na cidade.

Uma marcha e uma cerimônia de mãos dadas estão marcadas para o Mercedes-Benz Superdome, o estádio de futebol para onde foram levados desabrigados depois da tempestade e que se tornou um emblema do caos que assolou Nova Orleans depois das enchentes.

Durante muitos dias sufocantes, as pessoas estavam praticamente presas no Superdome, sem comida ou água e pouca comunicação com o mundo externo. A cena era de horror e desespero, com algumas pessoas que já estavam doentes sucumbindo às condições e morrendo no local.

A cena foi uma vergonha política para o presidente da época, George W. Bush, e a Agência Federação de Administração de Emergências, que foram muito criticados pela reação demorada a uma crise que afetou principalmente os pobres e os negros.