ESTREIA-"Shaun, O Carneiro" leva personagens da fazenda à cidade grande

quarta-feira, 2 de setembro de 2015 16:17 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Não é preciso ser um especialista ou um cinéfilo para identificar o DNA de cada estúdio de animação entre as produções do gênero. O público sabe que poderá rir e chorar na mesma intensidade e ter os mais diversos níveis de reflexão nas histórias complexamente simples da Pixar, como em “Wall-E” (2008), “Toy Story 3” (2010) e “Divertida Mente” (2015), e que tem reflexos hoje na própria Disney.

Prepara-se para se divertir com a mescla de ingenuidade e sarcasmo do humor de cativantes personagens das franquias da Dreamworks – de “Shrek” a “Como Treinar o Seu Dragão” –, uma fórmula seguida, à sua maneira, pela Blue Sky de “A Era do Gelo” e a Illumination de “Meu Malvado Favorito”.

E se, no japonês Studio Ghibli, o espectador irá encontrar a fantasia e o drama em traços detalhados que vão além do anime tradicional – a exemplo de “Meu Amigo Totoro” (1988), “A Viagem de Chihiro” (2001) e “Vidas ao Vento” (2013) –, quem aprecia o stop motion sabe que a técnica é a marca da norte-americana Laika e da britânica Aardman.

A diferença é que a primeira tem predileção por temas sobrenaturais e mais sombrios – vide “Coraline” e o “Mundo Secreto” (2009) e “Os Boxtrolls” (2014) –, enquanto o toque mais artesanal diferencia personagens animalescos e humanos da outra.

Os ingleses de Bristol têm em seu currículo desde a participação no marcante videoclipe de Sledgehammer, de Peter Gabriel até o recente longa “Piratas Pirados” (2012), entre os quais, seus maiores sucessos são “A Fuga das Galinhas” (2000) e os curtas e o longa dos icônicos “Wallace e Gromit”.

É justamente do curta da franquia do cachorro e seu dono, “Tosa Completa” (1995), vencedor da categoria no Oscar de 1996, que surgiu o carneiro Shaun, que ganharia sua própria série anos depois. Exibida no canal infantil CBBC – no Brasil, foi retransmitida inicialmente no Disney Channel e hoje está na TV Cultura – desde 2007 em quatro temporadas, a animação sobre o líder do rebanho de uma pequena fazenda no norte da Inglaterra já recebeu um Emmy Internacional.

Os episódios que nem chegam a sete minutos de duração ganharam nova dimensão agora no cinema em “Shaun, o Carneiro” (2015), longa-metragem de Mark Burton e Richard Starzak, ganhador do júri popular no último Anima Mundi do Rio de Janeiro.

Os 85 minutos da produção, no entanto, não se transformam em uma versão estendida do programa televisivo, pois os personagens embarcam em uma aventura que foge do universo rural que permeia a série. Tudo isso porque o carneiro está cansado da rotina na fazenda Mossy Bottom e, assim como em suas histórias na TV, planeja uma escapada com seus amigos ovinos.

O problema ocorre quando, após fazerem seu dono dormir, o trailer onde o Fazendeiro – sim, o nome dele é assim, genérico – descansava começa a se deslocar e desenfreadamente segue na estrada rumo à Big City, a “Cidade Grande” que é uma amálgama de Londres e outras metrópoles inglesas sem identificar qualquer ponto turístico.   Continuação...