ESTREIA-Remake de série dos anos 1960, "O Agente da U.N.C.L.E." diverte

quarta-feira, 2 de setembro de 2015 16:23 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Era a década de 1960 e o mundo vivia o auge da Guerra Fria, com a Crise dos Mísseis em Cuba acirrando a tensão entre Estados Unidos e União Soviética no ano de 1962, que também marcaria a entrada triunfal do icônico personagem do escritor Ian Fleming, James Bond, no cinema.

Em 1964, com toda repercussão de “007 - Contra Goldfinger” – terceiro filme e segunda maior bilheteria da franquia, corrigida a inflação – e em seus últimos meses de vida, o autor inglês ajudou Sam Rolfe a criar o conceito e o então personagem principal da série norte-americana “O Agente da U.N.C.L.E.”, sobre uma organização internacional de contraespionagem que reúne agentes de várias nacionalidades para assegurar a paz mundial.

Isso porque, a princípio, o espião ianque Napoleon Solo, interpretado por Robert Vaughn, teria todo o foco da atração. Mas no decorrer da primeira temporada, o charme do agente soviético Illya Kuryakin – que o diga a menina Sally Draper do seriado “Mad Men” (2007-2015) –, vivido por David McCallum, atualmente em “NCIS: Investigações Criminais” (2003-), fez com que o público pedisse mais espaço para o personagem, que logo ganhou status de coprotagonista.

E os atores se tornaram astros quando o programa caiu nas graças dos espectadores com seu tom de paródia e a identificação criada pela presença recorrente de um civil inocente envolvido nas operações em cada episódio.

Além das quatro temporadas exibidas na NBC, até 1968, e retransmitidas no Brasil pela extinta TV Excelsior, a partir de 1966, alguns episódios transformados em longas-metragens para o cinema, uma série derivada, romances e histórias em quadrinhos foram alguns dos frutos.

O fenômeno sessentista volta agora ao público em uma nova versão cinematográfica criada por Guy Ritchie, cineasta conhecido pelos seus primeiros trabalhos ambientados no submundo do crime em Londres e sua releitura do clássico detetive “Sherlock Holmes” em dois filmes (2009 e 2011). O diretor britânico, contudo, investe em uma espécie de prequel, contando as origens da organização secreta e criando um novo passado para os personagens principais.

“O Agente da U.N.C.L.E.” (2015) introduz seu Napoleon Solo (Henry Cavill), quando o agente secreto da CIA entra na Alemanha Oriental de 1963 para cooptar a mecânica Gaby Teller (Alicia Vikander) na busca pelo pai dela (Christian Berkel), um renomado ex-cientista nazista que servia aos EUA no pós-guerra, mas desapareceu misteriosamente. O problema é que o implacável espião da KGB Illya Kuryakin (Armie Hammer) também foi instruído para a mesma missão, desencadeando uma perseguição de carros que arrebatadoramente abre o longa.

Porém, para o desgosto de ambos, os dois são designados a trabalhar juntos logo em seguida e embarcam com a garota para Roma em busca do cientista, pois ianques e russos temem que os Vinciguerra, império empresarial familiar liderado por Victoria (Elizabeth Debicki), estejam fabricando ogivas nucleares ilegais. Para os fãs da série, a boa notícia é que Waverly, um dos personagens principais, aparece, discretamente, mas em bons momentos do astro inglês Hugh Grant.

Uma pena é que nenhum ator da obra original participe do filme – o jogador de futebol David Beckham está nos créditos como um projecionista, algo que a autora deste texto não foi capaz de ver; então, prepare seus olhos de lince se lhe interessar.   Continuação...

 
Ator Henry Cavill participa do lançamento de "O Agente da U.N.C.L.E." em Nova York.  10/8/2015.  REUTERS/Eduardo Munoz