Piadas da família e dificuldades na escola: filme mostra a vida pessoal de Malala

sexta-feira, 4 de setembro de 2015 11:28 BRT
 

WASHINGTON (Reuters) - A maioria das pessoas sabe quem é a paquistanesa Malala Yousafzai, ganhadora do prêmio Nobel da Paz, que foi baleada pelo Taliban em 2012 por exigir o direito das meninas à educação, mas poucos ouviram falar da heroína afegã do século 19 na qual sua família se inspirou ao escolher seu nome.

Segundo a tradição pashtun, Malalai de Maiwand estimulou seus compatriotas a vitória contra as tropas britânicas em 1880, indo ao campo de batalha para unificar uma força afegã desmoralizada com um verso sobre o martírio. Ela mais tarde foi atacada e morta.

A lenda é contada em "He Named Me Malala” (Ele me deu o nome de Malala), um novo documentário sobre Malala Yousafzai, agora com 18 anos, cujo ataque quando estava em um ônibus escolar chocou o mundo.

"Você lhe deu o nome de uma menina que falou e foi morta. É quase como se você dissesse que com ela seria diferente", disse o diretor Davis Guggenheim sobre o pai de Malala, Ziauddin, no filme. "Você está certo", ele responde.

Filmado ao longo de 18 meses, o retrato íntimo mostra uma adolescente mais à vontade no palco mundial -falando, por exemplo, na sede da ONU em Nova York- ou abordando estudantes em campos de refugiados sírios, do que com os colegas de sala de aula na Grã-Bretanha, para onde foi levada para uma cirurgia após o atentado.

"Nesta nova escola, é difícil", diz ela, admitindo a falta de experiências compartilhadas com as outras meninas. Embora se saiba muito sobre o trabalho de Malala, o documentário levanta o véu sobre a sua vida familiar no centro de Inglaterra, com muito humor da parte de seus dois irmãos.

"Ela é um pouco desobediente", diz o irmão mais novo de Malala, que ela apresenta como "um bom menino", em contraste com seu outro irmão, que ela chama de "o mais preguiçoso".

 
Malala Yousafzai, ganhadora do prêmio Nobel da Paz, durante evento no Líbano.  12/07/2015   REUTERS/Jamal Saidi