23 de Setembro de 2015 / às 18:23 / 2 anos atrás

ESTREIA–Discussão sobre preconceito evolui na sequência “Hotel Transilvânia 2”

SÃO PAULO (Reuters) - Se pensarmo apenas no conceito de “Hotel Transilvânia” (2012), não em sua temática gótica, cujas figuras vampirescas e monstruosas servem como fachada e, igualmente, metáfora do comportamento humano quanto ao que lhe é estranho, pode-se observar a evolução que ocorre neste sentido na sequência daquela animação, “Hotel Transilvânia 2”.

Enquanto o primeiro apontava para a necessidade de aproximação em um cenário de total segregação e intolerância, esta continuação vai um passo à frente ao apresentar um ambiente no qual o preconceito incrustrado na sociedade, velado nas ações e pensamentos dos indivíduos, ainda atrapalha a tarefa de aceitação, muitas vezes superficial.

Um olhar para os outros aspectos deste novo filme, no entanto, revelam seus tropeços, mesmo que graciosos e irrelevantes para um entretenimento familiar, que o colocam no mesmo patamar técnico de seu antecessor.

Dirigido novamente pelo russo Genndy Tartakovsky, o enredo mais uma vez não desenvolve seus personagens dentro de seus potenciais e segue um caminho já conhecido em sua trama - felizmente, diferente do que a franquia já explorou no primeiro.

Três anos atrás, o público foi apresentado ao empreendimento hoteleiro na famosa região romena, que foi criado por Conde Drácula (voz de Adam Sandler no original e Alexandre Moreno na versão brasileira) para proteger sua filha Mavis (Selena Gomez/Fernanda Baronne) e todos os monstros da maldade humana, que vitimara sua esposa – algo que afeta suas ações nas duas histórias.

A chegada de um desavisado mochileiro, Jonathan (Andy Samberg/Mckeidy Lisita), no entanto, pôs o zeloso pai em pânico e alterou a vida da família de vampiros e de seus hóspedes. O segundo longa dá sequência aos acontecimentos, dedicando sua introdução para mostrar o casamento de Mavis e Jonathan e o nascimento do filho do casal.

A questão é que, apesar de ter aceitado os antigos inimigos, seja como parentes ou clientes, Drácula teme que seu amado neto Dennis, que tem em suas veias tanto o sangue humano quanto o de vampiro, não puxe a sua descendência, já que nenhuma presa apareceu em sua boca em seus primeiros anos de vida. Por isso, enquanto o genro está com sua filha na Califórnia, conhecendo novidades do “mundo exterior”, o avô tenta despertar o lado monstruoso no menino, com a ajuda de seus amigos Frankenstein, o lobisomem Wayne, o homem invisível Griffin e a múmia Murray, antes que seja tarde demais.

O roteiro de Tartakovsky e Robert Smigel, antigo redator do “Saturday Night Live”, não inclui grandes reviravoltas a partir desta premissa e usa uma sequência quase ininterrupta de situações cômicas que servem para preencher o tempo e não deixar o filme perder o ritmo.

O humor pastelão, que tem na participação de Mel Brooks como o temido bisavô Vlad uma homenagem, encontra vazão na direção do russo, criador dos desenhos animados “O Laboratório de Dexter” (1996-2003) e “Samurai Jack” (2001-2004), sendo premiado por este e por “Star Wars: Clone Wars” (2003-2005), e diretor de “As Meninas Super-Poderosas” (1998-2005).

Por isso, a vivacidade das cores e o brilho frente aos tons sombrios óbvios da temática, já que a produção sempre priorizou o riso em vez do susto, e a elasticidade dos personagens, especialmente em suas expressões, destacam-se entre os aspectos técnicos da equipe de animação de Genndy.

Quanto ao 3D, ele é mais sentido em algumas sequências, especialmente as de voo, mas não parece imprescindível.

(Por Nayara Reynaud, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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