ESTREIA-Anacrônico, “Vai que Cola – O Filme” tenta fazer rir na base do grito

quarta-feira, 30 de setembro de 2015 17:11 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Derivado de um humorístico da televisão, “Vai que Cola – O Filme” não esconde suas origens, e parece um piloto para uma sitcom. O cenário do original é apenas um palco giratório, que abriga alguns cômodos da pensão de Dona Jô (Catarina Abdalla) – mas aqui, há até o lado de fora do local.

Dirigido por César Rodrigues (“High School Musical: O Desafio”), o longa começa com Valdomiro Lacerda (Paulo Gustavo), um sujeito extremamente rico, morador do Leblon sendo vítima de um golpe e perseguido pela polícia.

Na fuga, consegue uma carona para o Méier e se instala na pensão, de onde sonha sair. Enquanto isso não acontece, ganha a vida entregando as marmitas feitas por Dona Jô. Até o dia em que é procurado pelo ex-sócio (Márcio Kieling), que o traiu, com uma proposta de voltar para a sua antiga cobertura, e depois vendê-la. Assim, com o dinheiro saldariam as dívidas e Valdo poderia fugir do país.

Nesse mesmo dia, a pensão de Dona Jô é interditada porque corre o risco de desabar, e Valdo se vê obrigado a levar os colegas para o Leblon. É nessa ideia de “peixe-fora-d’água” que o roteiro de Luiz Noronha e Leandro Soares se apoia na maior parte do tempo. Há até algo a que Paulo Gustavo se refere como “traminha” – envolvendo Dona Jô e a tentativa de um golpe em cima dela, mas é mera desculpa para alongar até a marca de 90 e poucos minutos.

Na Zona Sul, Jéssica (Samanta Schmutz) tentará se envolver com um famoso – o ator Klebber Toledo, interpretando a si mesmo – e ficar rica e famosa, sem dar bola para seu namorado Máicol (Emiliano D'Avila). Este é consolado por Velna (Fiorella Mattheis), outra moradora da pensão, que também se instala na cobertura, junto com Terezinha (Cacau Protásio), que se diz viúva de bicheiro, e Ferdinando (Marcus Majella), transformista e concierge, nas palavras dele, da pensão.

As piadas do filme são basicamente Valdo ofendendo Terezinha – chamando-a de “gorda”, “baleia” etc – e Ferdinando. Sobra então a “traminha” policial, na qual o eletricista Wilson (Fernando Caruso) disputa a atenção de Dona Jô com um novo vizinho, Quaresma (Werner Schünemann), e o protagonista tenta fugir do síndico do prédio, Brito (Oscar Magrini).

“Vai que Cola – O Filme” é pouco mais de uma hora e meia de pura gritaria – parece que a graça aqui equivale a um histrionismo nas interpretações. É um tipo de humor anacrônico, que pretende fazer rir literalmente pelo grito, e raramente funciona.

Reciclando, na televisão, um formato parecido com o do falecido “Sai de Baixo”, o programa contava com o público, que trazia, se não algum frescor, ao menos, algum vigor de ter uma plateia ao vivo. No cinema, perde-se isso, e o que sobra são as piadas ultrapassadas e desprovidas de qualquer sagacidade. Enfim, nada que após uma pesquisa no YouTube não ofereça opções melhores.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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