ESTREIA–Keanu Reeves é marido punido pela infidelidade no suspense “Bata Antes de Entrar”

quarta-feira, 7 de outubro de 2015 17:01 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Pobre Evan Webber, deixado em casa sozinho, quando a mulher e os filhos viajam em pleno Dia dos Pais, e duas jovens bonitas e malvadas tocam sua campainha, entram em sua casa, seduzindo-o e destruindo sua vida. Ah, esses homens ingênuos e indefesos! Pobre Keanu Reeves – cuja carreira conheceu dias melhores, em filmes como “Drácula” e “Matrix” – e agora protagoniza esse “Bata Antes de Entrar”, um remake (não creditado) de “Death Game”, de 1977.

Dirigido por Eli Roth (cujo cinema sádico fez sucesso com “O Albergue”, 2005), “Bata Antes de Entrar” é uma mistura de “Violência Gratuita” com “Atração Fatal”. Do primeiro, os dois garotos são substituídos por Genesis (Lorenza Izzo) e Bel (Ana de Armas), duas moças bonitas que pedem abrigo na casa de Webber numa noite chuvosa de domingo. Estão perdidas e ele chama o táxi pelo celular para elas. Como irá levar um bom tempo para chegar, elas pedem para secar as roupas na secadora. Aí começa o jogo.

O filme enrola um pouco para chegar ao seu primeiro ponto óbvio: abobalhado, Webber nem cogita não se deixar levar por elas. Passa a noite com as duas, para, no dia seguinte, se deparar com sua cozinha vandalizada. Elas são equivalentes aos garotos do filme de Michael Haneke, “Violência Gratuita”, só que com apelo sexual. Começam a chantagear o sujeito, alegando serem menores de idade. O que iria acontecer com a vida dele se fosse acusado de pedofilia? Em primeiro lugar, perderia a mulher (Ignacia Allamand) e jamais veria de novo os filhos pequenos.

Se não há toda a sanguinolência de outras produções de Roth, o terror aqui é psicológico. Mas sua visão machista de um pobre homem maltratado por essas jovens malvadas é enfadonha, e não se sustenta por muito tempo. Há a fina ironia e o esforço das duas jovens atrizes, além de um cachorrinho na casa, que pode fazer as vezes do coelho de “Atração Fatal”.

As duas atrizes são o que há de melhor no filme. A empolgação delas e a vibração em personagens que mudam de humor como quem muda de roupa – e essas mudanças acontecem literalmente no filme – são um contraste à interpretação tipicamente soporífera de Reeves, bem como as chatices insuportáveis das cenas em família no começo do filme.

Na tentativa de trazer o filme para o ambiente atual dos EUA, Webber está desempregado e por isso passa o final de semana em casa sozinho, na tentativa de terminar um projeto e conseguir uma nova posição.

Há também, por parte de uma das meninas, a menção ao 1 por cento - o protagonista faria parte de uma elite mais abastada e elas, embebidas de sentimento de luta de classes, se vingam arrasando a vida dele. Entre as perversidades das garotas está destruir as esculturas assinadas pela mulher de Webber, que, aliás, são horríveis. Esse talvez seja um momento de um prazer verdadeiramente sádico do público.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
Reeves durante evento em Los Angeles.  22/10/2014.  REUTERS/Mario Anzuoni