ESTREIA-"Goosebumps: Monstros e Arrepios" reúne monstros e autor da série de livros

quarta-feira, 21 de outubro de 2015 16:20 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Em uma cena de "Goosebumps: Monstros e Arrepios", R. L. Stine (Jack Black) fica irritado ao dizerem que o seu trabalho não se compara ao de Stephen King. A bem da verdade, o R. L. Stine da vida real já foi muito comparado durante sua carreira com o mestre da literatura de terror e horror contemporâneas, como o “Stephen King da literatura infanto-juvenil”, por misturar os gêneros ao humor, em uma dose perfeita para crianças e adolescentes.

“Goosebumps”, série de 62 livros publicada entre 1992 e 1997, é justamente seu maior feito em quantidade e alcance. Somando-se a coleção original e as derivadas, foram mais de 400 milhões de exemplares de quase 200 títulos vendidos mundialmente e traduzidos para 32 idiomas.

Sem contar a série de TV homônima, produzida de 1995 a 1998 e exibida no Brasil pela extinta Fox Kids. Os monstros saídos da mente do autor, agora, invadem os cinemas em uma produção que tanto tem a sua benção, que Stine não só permitiu que sua persona fosse transformada em personagem, como também faz uma participação especial de segundos na tela.

O longa de Rob Letterman traz como protagonista Zach (Dylan Minnette), um adolescente nova-iorquino que acabara de se mudar para a fictícia Madison, no Delaware, com sua mãe (Amy Ryan).

Ainda resistente com as perspectivas de sua nova vida na pequena e afastada cidade, o garoto se interessa por sua misteriosa vizinha Hannah (Odeya Rush), cujo inflexível pai, o “Sr. Shivers” (Black), faz de tudo para mantê-la isolada.

Quando vê uma cena bem hitchcockiana por sua janela indiscreta, o jovem resolve invadir a casa vizinha com a ajuda de Champ (Ryan Lee), seu único colega no novo colégio. Porém, os dois não contavam que aquele era o lar do recluso escritor da série Goosebumps e que, por um descuido deles, todas as criaturas escritas pelo autor sairiam literalmente dos livros, ganhando vida em um estilo “Jumanji” (1995) para aterrorizar a cidadezinha.

O roteiro de Darren Lemke – “Shrek Para Sempre” (2010) –, a partir de um argumento de Scott Alexander e Larry Karaszewski – dupla de roteiristas de “Ed Wood” (1994) –, parte da inventiva ideia de criar um universo onde a série literária existe, mas ficcionalizando em cima disso ao trazer Stine à frente da história e juntar em uma mesma trama, aproximadamente, 25 monstros, ou grupos deles, presentes em suas obras.

Isso sem elaborar uma estrutura muito original, seja em relação aos elementos recorrentes em “Goosebumps”, a exemplo do subúrbio como cenário e a criança/adolescente enviado ou em mudança para um lugar distante que se repetem, quanto aos clichês de filmes infanto-juvenis, como a presença do “órfão”.

Apesar disso, o público não perde interesse na narrativa, que segue os ensinamentos descritos pelo escritor no longa, com direito ao amadurecimento do herói e até uma virada surpreendente.   Continuação...

 
Ator Jack Black, do filme "Goosebumps", durante sessão de fotos em West Hollywood, nos Estados Unidos. 02/10/2015 REUTERS/Mario Anzuoni