ESTREIA-“O Último Caçador de Bruxas” exagera nos efeitos em roteiro irregular

quarta-feira, 28 de outubro de 2015 16:19 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Devem ser vistas com reservas as produções que se mostram mais eficientes nas acrobacias visuais do que em uma narrativa coerente, que conduza eficientemente o espectador na história que se propõe a contar. Goste-se ou não de fantasia ou aventura, o conteúdo não pode perder para a cosmética. Exemplos, em 2015, não faltaram, nos mais diversos temas. Grande parte do fracasso de “Quarteto Fantástico” se deve a esse desequilíbrio, tal como aconteceu com o nostálgico “Tomorrowland” e o bem-humorado “Pixels”. Agora, em “O Último Caçador de Bruxas”, de Breck Eisner (que dirigiu “Sahara”, em 2005), o roteiro também não conseguiu acompanhar a tecnologia. Estrelado por Vin Diesel, que é também seu produtor, o filme já tem um púbico garantido pelo poder de atração do ator, ainda mais depois do sucesso impressionante de “Velozes e Furiosos 7”.

Aqui, mais uma vez explorando um humor áspero, de um protagonista acostumado ao sofrimento e a doses letais de violência, como nas “As Crônicas de Riddick” (a trilogia), que o tornou conhecido. No roteiro construído pelo trio Cory Goodman (“O Padre”), Matt Sazama e Burk Sharpless (ambos de “Drácula – A História nunca Contada”), Diesel é Kaulder, um camponês de algum lugar da Europa na Idade Média, que (aparentemente) perde sua família para um covil de bruxas. Elas são responsáveis pela grande epidemia da Peste Negra (datada erroneamente na produção), e por isso Kaulder torna-se um guerreiro. Já nas impressionantes cenas iniciais na neve, um grupo de combatentes, liderados por um Dolan (uma espécie de padre guerreiro) ataca o refúgio da rainha das bruxas (Julie Engelbrecht, irreconhecível) e sobra para o herói enfrentá-la. Percebendo a fraqueza de Kaulder, a perda da família, antes de morrer, a vilã lhe roga uma maldição: será imortal e, assim, poderá sofrer pela eternidade. O corte para a atualidade, 800 anos depois, apresenta o caçador em Nova York, num mundo em que bruxas vivem ocultas debaixo de leis impostas pelo Vaticano. Não podem fazer mal aos humanos, caso contrário, a “arma letal” Kaulder será lançada sobre elas.

É neste momento que o espectador encontra o 36o Dolan (Michael Caine), que narra as aventuras do herói. Prestes a se aposentar, passa o bastão a seu sucessor (Elijah Wood), para cuidar dos interesses do caçador. O fato é que há um feiticeiro Belial (Ólafur Darri Ólafsson) contrário às leis que oprimem as bruxas, cujo ideal é ressuscitar sua rainha. Cabe então a Kaulder, com a ajuda da feiticeira “gente boa” Chloe (Rose Leslie, da série “Game of Thrones”), impedir que isso ocorra, pois decretará o fim da humanidade. De forma direta, o filme não traz tensão. A narrativa não é coesa e seu desenvolvimento fica fragmentado pela falta de uma estrutura que consiga unir o conflito interno dos personagens e os desafios no desenrolar dos fatos. Exemplo simples, o de não ser trabalhada a gênese do personagem principal, que, na verdade, seria um anti-herói, como em “Velozes e Furiosos”. Para não alongar o filme, alguns papeis tornam-se apenas subterfúgios, como é o caso de Elijah Wood, mal aproveitado em todas as situações em que aparece em cena. Um problema claro de roteiro e até mesmo de edição, que preferiu a computação gráfica a contar uma história que faça sentido e que, pelo menos, que tivesse acertado as épocas corretas.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
Ator Vin Diesel fala durante evento em Hollywood. 03/06/2015 REUTERS/Mario Anzuoni