Blogueiro saudita condenado a prisão e açoites recebe prêmio da União Europeia

quinta-feira, 29 de outubro de 2015 12:24 BRST
 

Por Robin Emmott

BRUXELAS (Reuters) - O blogueiro saudita Raif Badawi, que foi sentenciado a mil chibatadas e 10 anos de prisão por insultar o Islã e cometer crimes cibernéticos, recebeu o prêmio da União Europeia para direitos humanos e liberdade de expressão nesta quinta-feira.

Badawi recebeu o primeiro dos 50 açoites em janeiro, o que desencadeou críticas severas de países ocidentais ao histórico de direitos humanos do reino, incluindo as restrições que impõe à liberdade religiosa e aos direitos das mulheres sauditas.

Este mês, em Londres, Badawi já havia recebido o prêmio Escritor Internacional de Coragem e foi co-vencedor do prêmio PEN Pinter.

Na segunda-feira, o embaixador da Arábia Saudita na capital inglesa ameaçou “repercussões potencialmente sérias” para os laços com a Grã-Bretanha a menos que uma relação mais respeitosa seja desenvolvida.

Syed Kamall, parlamentar britânico e membro da Assembleia europeia que indicou Badawi à honraria da UE, disse que “a Arábia Saudita pode trancafiar o homem e pode açoitá-lo, mas só irá fortalecer entre seus conterrâneos o anseio pela liberdade de expressão e pelo debate que ele defende”.

Um tribunal da cidade saudita de Jidá condenou Badawi em 2012 por ele ter criticado um clérigo saudita em um blog e pedir mudanças na maneira como a religião é praticada no país.

A Arábia Saudita, que obedece o rígido código islâmico Wahhabi, não permite a adoração pública de outros credos nem a manutenção de locais de culto no país. Uma nova lei decretada no ano passado fez do ateísmo um delito terrorista.

Criado em homenagem ao cientista e dissidente soviético Andrei Sakharov, o prêmio Badawi é concedido anualmente pela UE desde 1988. Seus primeiros contemplados foram Nelson Mandela e o autor e dissidente russo Anatoly Marchenko.

(Reportagem adicional de Julia Fioretti)

 
Foto do blogueiro saudita Raif Badawi  (centro) entre fotos de outros presos na Arábia Saudita durante protesto realizado em frente à embaixada saudita na Cidade do México. REUTERS/Edgard Garrido