Artista russo é preso após iniciar incêndio em QG de segurança

segunda-feira, 9 de novembro de 2015 13:16 BRST
 

Por Andrew Osborn

MOSCOU (Reuters) - Um dos artistas performáticos mais radicais da Rússia foi detido em Moscou no início desta segunda-feira depois de iniciar um incêndio de curta duração na entrada do quartel-general do FSB, o serviço de segurança russo que sucedeu o KGB dos tempos soviéticos.

Filmagens de vídeo mostraram Pyotr Pavlensky na Praça Lubyanka, na capital russa, diante do edifício onde prisioneiros políticos eram interrogados durante a era soviética enquanto chamas surgiam em torno da entrada, chamuscando partes de seus dois pesados portões de madeira.

Pavlensky, de 31 anos, é visto segurando uma lata de combustível e observando a praça escurecida até um policial o agarrar. Mais tarde seu advogado declarou à agência de notícias Interfax que Pavlensky está detido em uma delegacia moscovita e que pode ser acusado de incêndio criminoso.

Fontes anônimas da lei confirmaram a detenção do artista, dizendo que ele pode ser acusado de vandalismo leve, um delito que normalmente implica em uma multa e uma sentença de até 15 dias de prisão. Dois jornalistas que filmavam suas ações contaram terem sido detidos brevemente e depois liberados.

    Em um roteiro acompanhando o vídeo do incidente, publicado em uma de suas contas de redes sociais apesar de sua prisão, Pavlensky escreveu: “O medo transforma pessoas livres em uma massa grudenta de corpos descoordenados.”

“A ameaça de represália inevitável pesa sobre todos os que podem ser rastreados com artefatos, ter suas conversas ouvidas e que enfrentam fronteiras com controle de passaporte”, disse.

    Médicos declararam que Pavlensky, que já foi obrigado a fazer exames psiquiátricos, é são. A reação pública a seu ato mais recente foi variada, alguns russos exaltaram sua coragem nas redes sociais, e outros o criticaram com veemência.

 
Pyotr Pavlensky, um dos artistas performáticos mais radicais da Rússia, durante protesto em Moscou.  10/11/2013   REUTERS/Maxim Zmeyev