ESTREIA-Malala Yousafzai emociona em documentário sobre sua vida

quarta-feira, 18 de novembro de 2015 17:55 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Não é por ser vítima das circunstâncias que alguém recebe o Prêmio Nobel da Paz. A paquistanesa Malala Yousafzai aos 15 anos foi alvejada na cabeça por radicais do Taliban, que dominavam o Vale do Swat, onde vivia. Os tiros, que não a mataram, mas feriram também suas amigas, tinham o objetivo de calar uma adolescente sempre disposta a se manifestar sobre o direito à educação de meninas. Deu-se o contrário.

Malala foi capa e conteúdo de um frenesi midiático, que a alçou à condição de heroína pela equidade de gênero, sobretudo sobre o ensino transformador de vidas. Depois de acordar de um coma induzido, sobrevivendo com mente e corpo alertas para seu, agora, objetivo de vida, a garota recebeu prêmios, condecorações e ganhou, pelas mãos do documentarista Davis Guggenheim (de "Uma Verdade Inconveniente") uma cinebiografia, intitulada simplesmente "Malala".

Pela visão do cineasta, Malala é uma menina comum, porém vítima de uma missão, quase profética, instaurada por seu pai Ziauddin Yousafzai, um ativista educacional.

Não é por acaso que intitula a produção como "He Named Me Malala" ("Ele Me Deu o Nome de Malala", em português), quando evoca a jovem Malalai, uma adolescente que fez afegãos se insurgirem contra os ingleses no século 19. Belíssima história, no entanto, sem qualquer função além do folclore.

Porém, Malala sobrevive, e no meio das entrevistas que Guggenheim utiliza para o documentário, ela se mostra capaz de uma clemência (a seus perseguidores) e obstinação (diante de seu objetivo), que emociona.

Mudando de país, com problemas de adaptação nas escolas britânicas, a adolescente não é mais do que alguém que tem um propósito muito além de se envergonhar com perguntas sobre jogadores bonitos na TV.

Criada em um ambiente que estimula o conhecimento, o que o diretor capta sem qualquer estranheza, ainda utilizando como recurso a animação para o espectador entender seu passado, esta heroína considera sua existência convencional.

"Eu sou uma menina normal. Mas, se meus pais fossem conservadores e eu ainda vivesse em Swat, provavelmente já teria dois filhos", diz ao ser questionada sobre o que seria, caso fosse uma menina "normal", por uma repórter.

Mais do que um nome, Malala é uma demonstração eloquente de quanto os pais têm muito a ver com a formação dos filhos. Por sua vez, o documentário demonstra como se pode levar técnicas (uso de animação, enquadramentos, imagens de arquivo), fictícias ou não, para apresentar eficientemente uma determinada tese.   Continuação...

 
Prêmio Nobel da Paz Malala Yousafza concede entrevista coletiva na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. 25/09/2015 REUTERS/Darren Ornitz