ESTREIA-Em "Táxi Teerã", cineasta critica restrições à liberdade cultural no Irã

quarta-feira, 18 de novembro de 2015 18:13 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Desde que lhe foi imposta, em 2010, a proibição de filmar por 20 anos pelo governo de seu país, por supostamente conspirar contra sua pátria, o cineasta iraniano Jafar Panahi tem-se esmerado em desmoralizar a absurda condenação.

Desde então, já assinou três filmes, "Isto Não É Um Filme" (2011), "Cortinas Fechadas" (2013) e agora "Táxi Teerã", que venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim, em fevereiro.

É certo que Panahi, de 55 anos, não desfruta das mesmas condições que teve para filmar obras sublimes de seu passado, como "O Círculo", vencedor do Leão de Ouro em Veneza em 2000.

No entanto, ainda que de uma maneira perversa, as restrições têm-lhe dado a oportunidade de se reinventar, numa direção minimalista, é verdade, mas que lhe permite discutir até de maneira ampla o que pode ser o cinema.

O próprio Panahi é visto em cena, atrás do volante de um automóvel, como um suposto motorista de táxi nas ruas de Teerã. Os passageiros (atores?) vão subindo e conversando. Logo o primeiro desmonta o artifício, revelando uma pequena câmera ali montada, captando as conversas.

Nem Jafar é taxista, nem os passageiros são propriamente passageiros – tudo indica que se trata de atores amadores que concordaram em viver esses papéis colados na realidade cotidiana do Irã.

Logo no começo, uma professora e um homem que mais tarde se declara ladrão debatem a pena de morte e a aplicação da "sharia", a lei islâmica.

Em seguida, o insinuante e tagarela Omid reconhece o cineasta --ele foi seu fornecedor de DVDs piratas e usa o trajeto para conversar sobre cinema e usá-lo como chamariz para vender mais filmes a outro cliente, um estudante de cinema que pede conselhos a Panahi.

"O que pode ser um bom tema?", este lhe pergunta, numa situação que é metafórica do que o próprio filme está mostrando. Ou seja, tudo pode tornar-se objeto de uma narrativa diante das câmeras, hoje onipresentes em celulares, tablets, etc.   Continuação...