ESTREIA–Com atuações brilhantes, “Carol” é um dos melhores filmes da temporada

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016 19:59 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Natal está chegando e a elegante Carol Aird (Cate Blanchett) entra numa loja de departamento à procura de uma boneca para a filha. De longe, uma atendente a observa, encantada com aquela visão que parece diferente de tudo que já viu antes.

A moça é Therese Belivet (Rooney Mara), jovem infeliz no trabalho que sonha em ser fotógrafa. Quando os olhares se cruzam, há faíscas, apesar da distância e das pessoas entre elas. A mulher não encontra o brinquedo, mas acaba conseguindo algo que vai mudar sua vida.

Trabalhando a partir de um romance de Patricia Highsmith – mais famosa pela criação do personagem Tom Ripley, já levado diversas vezes ao cinema –, Todd Haynes (“Não Estou Lá”) extrapola a aura de literatura do livro, aprofundando-se no contexto histórico (na forma e no conteúdo), sem deixar de lado a caracterização psicológica das personagens na obra original.

A verdade é que o diretor transformou um livro mediano, da juventude da escritora, num grande filme – que tem ganhado elogios e prêmios por onde passa.

Em sua obra, o cineasta americano sempre lida com a intersecção entre o momento histórico e o pessoal de suas personagens, que, em regra, estão sendo forçadas a se encaixar nos padrões.

Foi assim em “Velvet Goldmine”- sua homenagem ao glam rock –, em “Não Estou Lá” – que traz um Bob Dylan fragmentado, tal como o seu tempo – e em “Longe do Paraíso”, filme com o qual “Carol” compartilha mais semelhanças. E isso não apenas por que ambos se passam nos anos de 1950.

A primeira coisa que salta aos olhos em qualquer filme do diretor é a composição visual – não apenas na fotografia (mais uma vez assinada pelo grande Edward Lachman, habitual parceiro do diretor), mas todo o entorno, como a direção de arte e figurinos.

Mas nada disso é gritante, nada disso é um set montado para o filme. São casas, lojas, hotéis onde as pessoas parecem viver e transitar. São roupas que elas usariam na vida real, não um vestido bonito para um filme. É nesse sentido que existe um realismo na obra do diretor. Tanto aqui quanto em “Longe do Paraíso”, Haynes busca, no colorido vibrante dos anos de 1950, entrar no âmago de uma época marcada por revoluções tecnológicas e comportamentais.

Seguindo a sua ideia de retratar “pessoas que não se encaixam”, aqui, Haynes conta a história de amor entre essas duas mulheres.   Continuação...

 
Atrizes Cate Blanchett (E) e Rooney Mara (D) chegam para exibição de gala do filme "Carol", em Leicester. 14/10/2015 REUTERS/Stefan Wermuth