Ministra das Maldivas diz que críticas de Amal Clooney são “histórias”

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016 16:50 BRST
 

Por Shihar Aneez

COLOMBO (Reuters) - A ministra das Relações Exteriores das Maldivas, Dunya Maumoon, rebateu nesta segunda-feira a crítica da advogada de direitos humanos internacional Amal Clooney, que disse que a democracia na ilha do Oceano Índico estava “morta”.

Amal, a advogada internacional que defende o ex-líder preso Mohamed Nasheed, usou na semana passada uma entrevista de alto nível com o canal norte-americano de notícias NBC News para condenar a administração do presidente das Maldivas, Abdulla Yameen.

Nasheed, que foi o primeiro presidente eleito democraticamente nas Maldivas, cumpre uma pena de 13 anos por acusação de terrorismo pelo suposto sequestro de um juiz, após um rápido julgamento em março passado em um caso que atraiu críticas internacionais.

Na entrevista com a NBC, Amal disse que o caso de seu cliente mostrou que a democracia está “morta nas Maldivas”.

Defendendo as Maldivas, popular por suas praias, mergulho e turismo de luxo, a ministra Dunya disse à Reuters que Amal tem "contado uma história convincente", mas não verdadeira.

"Meu apelo para o resto do mundo é ter um bom entendimento e não ser persuadida pelo charme de Amal Clooney quando ela conta essas histórias", disse a ministra.

Os comentários de Dunya surgiram assim que Nasheed recebeu permissão do governo das Maldivas para deixar Male e voar para Colombo, no Sri Lanka, onde provavelmente deverá permanecer por algum tempo antes de seguir para a Grã-Bretanha para uma cirurgia, disseram fontes do partido à Reuters.

Como Nasheed se recusou a nomear um fiador, alguém que pudesse enfrentar um processo criminal caso Nasheed não retornasse para as Maldivas, houve certa confusão sobre se o governo iria ou não conceder permissão para sua viagem.

Nasheed foi deposto em circunstâncias controversas em 2012 por ordenar a prisão de um juiz. Sua prisão foi condenada pela Organização das Nações Unidas (ONU), pelos Estados Unidos e por grupos de direitos humanos por ser de motivação política.

Amal, que é casada com o ator George Clooney, procurou atrair atenção para a turbulência política no país. Em sua entrevista NBC, ela disse: "Todo líder de oposição ou está atrás das grades ou é perseguido pelo governo através dos tribunais."

 
Advogada Amal Clooney durante entrevista para falar sobre Nasheed em Londres 5/10/2015  REUTERS/Peter Nicholls