Premiê italiano é criticado após estátuas serem cobertas durante visita do Irã

terça-feira, 26 de janeiro de 2016 18:10 BRST
 

ROMA (Reuters) - O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, foi criticado nesta terça-feira depois que estátuas nuas antigas no Museu Capitolino de Roma foram cobertas para evitar qualquer possível ofensa ao presidente iraniano, Hassan Rohani, que está visitando o país.

Itália e Irã vão assinar acordos de até 17 bilhões de euros durante a visita de dois dias da delegação iraniana, que começou na segunda-feira, mas líderes da oposição italiana e analistas disseram que Renzi foi longe demais para agradar o visitante.

Políticos de esquerda e direita afirmaram que Renzi também quase não fez referência ao histórico do Irã sobre direitos humanos, durante uma coletiva à imprensa conjunta, além de ter "rendido" a identidade cultural da Itália ao ocultar as estátuas de mulheres nuas.

"O respeito pelas outras culturas não pode e não deve significar negar a nossa", disse Luca Squeri, um parlamentar do partido de centro-direita Forza Italia. "Isso não é respeito, está anulando as diferenças e é uma espécie de rendição."

A pedido do Irã, a Itália também manteve vinho fora do menu em um jantar cerimonial na segunda-feira à noite.

Barbara Saltamartini, do partido Liga Norte, disse que cobrir as estátuas com painéis brancos foi um "ato de submissão", enquanto o líder do partido, Matteo Salvini, escreveu em sua página no Facebook que foi "loucura".

(Reportagem de Gavin Jones)

 
Estátua de Hércules, de 300 antes de Cristo, no museu Capitoline, em Roma
22/12/2005