ESTREIA–Remake de “Caçadores de Emoção” não justifica a revisita

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016 17:02 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Quem poderia imaginar que esportes radicais poderiam ser tão tediosos? “Caçadores de Emoção - Além do Limite” é a prova de que qualquer coisa pode desmanchar nas mãos erradas. Assinando a direção e a fotografia do filme, Ericson Core faz do remake do clássico cult de 1991, de Kathryn Bigelow, uma série de estripulias sem graça e sem, ao menos, um fiapo de história para amarrar as ondas, as montanhas e os saltos radicais.

Utah (Luke Bracey, uma espécie de sub-Heath Ledger no talento e aparência) sente-se responsável pela morte de um amigo, enquanto faziam uma trilha de moto no meio do nada. Sete anos depois, ele participa do treinamento do FBI, e apenas ele, dado o seu passado radical, percebe a conexão entre três roubos aparentemente sem ligação.

Todas as ações fazem parte da lista de tarefas radicais criadas por um certo Ozaki, cujo cumprimento trará algo como uma iluminação espiritual. Logo depois disso, num lance de sorte, Utah descobre que haverá uma formação de ondas que proporciona a realização de uma das tarefas, e convence seu superior (Delroy Lindo) a bancar sua viagem até o local.

Quando ele consegue infiltrar-se na gangue que, alegadamente, rouba para devolver à Terra coisas que dela foram tiradas, ele participa de todas as ações radicais com o grupo, liderado pelo venezuelano Bohdi (Édgar Ramírez). Não há efeito especial ou pirueta que salve “Caçadores de Emoção” de seu esquematismo, que alterna momentos ecochatos com cenas de esporte radical que sempre terminam com a morte de alguém.

Não há muita diferença entre este filme e a série “Velozes e Furiosos” – da qual Core foi diretor de fotografia no primeiro longa – que, por sua vez, pegava emprestada a ideia do “Caçadores de Emoção” de 1991 (o agente infiltrado que se deixa seduzir pelos investigados e fica com um leve dilema moral).

O australiano Bracey é o inexplicável protagonista, cujo cabelo não se desarruma nem quando surfa e cuja atuação consegue ser pior do que a de Keanu Reeves no filme original – que, convenhamos, era bastante limitada. Já o venezuelano Ramírez (cujo trabalho impressionante na série francesa “Carlos” deslanchou sua carreira) parece ter aceitado o papel apenas pela diversão. Fora eles, há personagens nanicos, interpretados por atores inexpressivos, como é o caso de Teresa Palmer e Clemens Schick (conhecido no Brasil por sua participação em “Praia do Futuro”, como o namorado alemão do personagem de Wagner Moura).

Todos são lindos e bronzeados, assim como a centena de figurantes, cuja função é dançar estranhamente em festas bancadas por Al Fariq (Nikolai Kinski), patrocinador da gangue de esportes radicais.

“Caçadores de Emoção - Além do Limite” deixa de lado o humor e o misticismo do original e se transforma num amontoado de imagens iguais àquelas que podem ser vistas em qualquer canal esportivo. A fotografia do filme, que parece lavada – na tentativa de lhe dar algum status – fica ainda pior na exibição em 3D.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
Luke Bracey, que integra o filme “Caçadores de Emoção”. 15/12/2015.   REUTERS/Mario Anzuoni