ENTREVISTA-Malala busca arrecadar US$ 14 bi para educação de crianças sírias

domingo, 31 de janeiro de 2016 18:49 BRST
 

Por Estelle Shirbon

LONDRES (Reuters) - Malala Yousafzai, vencedora do prêmio Nobel da Paz, vai tentar inspirar os líderes mundiais, numa conferência em Londres, a comprometerem 1,4 bilhão de dólares ao ano para garantir que as crianças sírias tenham acesso a educação, disse a jovem à Reuters neste domingo.

Chefes de Estado, governadores e ministros de todo o mundo vão participar em Londres da conferência “Apoiando a Síria e Região”, cujo objetivo é levantar recursos para atender à crise humanitária causa pela guerra síria.

Cerca de 700 mil crianças sírias que vivem em campos de refugiados na Jordânia e no Líbano, assim como em outros países do Oriente Médio, encontram-se sem escola, de acordo com um relatório divulgado pelo Fundo Malala, que realiza campanhas e arrecada recursos para causas educacionais.

“Eu conheci tantas crianças refugiadas, ainda estou com elas em mente. Não posso esquecê-las. A ideia de que não serão capazes de ir à escola por toda sua vida é completamente chocante e eu não posso aceitar”, disse Malala em uma entrevista por telefone.

“Nós ainda podemos ajudá-las, ainda podemos protegê-las. Ainda não estão perdidas. Elas precisam de escolas. Precisam de livros. Precisam de professores. Essa é a maneira com a qual podemos proteger o futuro da Síria.”

Uma adolescente paquistanesa ativista da causa da educação que ganhou proeminência quando um homem armado do Taliban atirou em sua cabeça quando ela ia para a escola de ônibus, em 2012, Malala continuou a fazer campanhas a nível mundial, e em 2014 se tornou a pessoa mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz.

Agora com 18 anos, ela mora na Grã-Bretanha, mas dedica a maior parte de seu tempo e energia à causa da educação para crianças sírias refugiadas. Uma inspirada oradora, que deixou a Assembleia das Nações Unidas boquiaberta com um celebrado discurso proferido em 2013, Malala espera causar impacto no evento organizado em Londres.

“Espero encorajar e inspirar os líderes mundiais a agirem. Não vou esperar. Não podemos esperar. Algo precisa acontecer.”