ESTREIA-Michael Bay reencena crise líbia em “13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi”

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 19:38 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Não faltam perseguições de carro, tiros, muitas explosões e testosterona no novo filme de Michael Bay, “13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi”. Todas as marcas da pirotecnia visual do cineasta de grande sucesso comercial e gosto duvidoso estão presentes, além de seus fetiches de exaltação por tudo que seja militar e/ou relacionado a machos alfa.

Há, no entanto, uma certa contenção no uso desses elementos que torna o novo esforço do diretor e produtor um trabalho mais centrado e amadurecido do que seus filmes de franquias, como “Transformers” e “As Tartarugas Ninja”.

O retrato aqui é do ataque à instalação diplomática dos Estados Unidos e ao complexo da CIA em Benghazi, ocorrido entre a noite de 11 de setembro de 2012 e o amanhecer do dia seguinte, que levou à morte do embaixador norte-americano Christopher Stevens e de mais três pessoas.

Baseado no livro de Mitchell Zuckoff, o roteiro de Chuck Hogan acompanha, durante aqueles momentos decisivos, os seis ex-militares contratados para proteger os agentes da inteligência.

O foco recai em Jake Silva (John Krasinski), ex-fuzileiro naval e novato no grupamento. Pelas descrições do amigo dele, Tyrone 'Rone' Woods (James Badge Dale), o público conhece junto a dinâmica do serviço e daquele lugar.

Contudo, o tempo gasto nesta apresentação acaba estendendo demasiadamente o filme, já que o segundo e o terceiro ato são dedicados exclusivamente ao fogo cruzado, com detalhismo e tensão. Aliás, a montagem se demonstra um tanto confusa quanto à distribuição espacial de cada um em alguns instantes.

Dentro da equipe, os estereótipos escancaram a função restrita e unilateral dos outros componentes da segurança, como a de alívio cômico de Kris 'Tanto' Paronto (Pablo Schreiber).

O roteiro ainda recai em soluções fáceis e incoerentes e no sentimentalismo acentuado por uma trilha sonora exagerada, como na cena totalmente fora de tom no drive-thru do McDonalds.

Novamente abordando uma temática que lhe é cara, Bay traz à tona os conflitos na Líbia causados por grupos rebeldes após a queda do ditador Muamar Kadafi, cuja morte parecia prenunciar um período de paz naquele país.   Continuação...

 
Ator John Krasinski chega ao 73º Golden Globe Awards em Beverly Hills, Califórnia. 10 de janeiro de 2016. REUTERS/Mario Anzuoni