ESTREIA–“O Quarto de Jack” retrata o confinamento pelos olhos de uma criança

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016 19:47 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Tudo o que o pequeno Jack (Jacob Tremblay) tem cabe num quarto. Na verdade, ele e sua mãe, a quem se refere como Ma (Brie Larson), estão aprisionados num pequeno cômodo, que se resume ao mundo deles. Ali, vivem os dias e as noites, alimentam-se, fazem exercícios, veem televisão (o garoto acredita que os personagens dos desenhos são seus amigos), e esperam alguma mudança no seu destino.

Ela, não ele, porque na cabeça do menino de 5 anos não existe qualquer outra coisa que não aquilo que está contido naquele pequeno espaço.

Baseado no romance “Quarto”, de Emma Donoghue (que também assina o roteiro), “O Quarto de Jack” é narrado pelo ponto de vista limitado do garoto que nasceu nesse cômodo e de lá nunca saiu. Sua relação com a mãe, então, é ainda mais próxima do que a de uma criança em condições normais. E, de tempos em tempos, quando ela é sistematicamente abusada pelo homem (Sean Bridgers) que os mantém em cativeiro, o menino se fecha num guarda-roupa, onde deve dormir.

O longa concorre em quatro categorias no Oscar: filme, roteiro adaptado, diretor e atriz.

Aos poucos, o quebra-cabeça começa a se montar. Joy, esse é o nome de Ma, foi sequestrada 7 anos atrás. Mantida nesse lugar, engravidou e deu à luz o menino ali mesmo (como isso aconteceu nunca fica claro no filme, porém). Ela, no entanto, tem um plano de fuga, mas seu sucesso depende do garoto.

Ter o menino como focalizador da trama é um desafio para o diretor Lenny Abrahamson (“Frank”), que nem sempre encontra a melhor saída, como no romance, no qual é mais fácil lidar com a reduzida percepção de mundo de Jack.

Apesar da premissa, “O Quarto de Jack” não é um terror e nem muito menos um suspense –embora possa lembra um punhado de histórias reais parecidas. O que o diretor procura aqui é explorar outra questão: os laços maternos.

A domesticidade do cotidiano repetitivo de Ma e Jack é ambígua, tanto motivo de uma certa segurança como de perturbação. O que há do outro lado da porta? Para o menino, o espaço sideral. Mas ela também diz que existe um paraíso na casa da vovó (Joan Allen, que há muito merecia um grande papel como esse).

A primeira parte do longa se dá inteira na asfixia do confinamento, até que o mundo se abre e novos problemas surgem com a saída da zona de conforto, por mais sombria que pudesse ser.   Continuação...

 
Ator Jacob Tremblay posa nos bastidores com seu prêmio de Melhor Ator Jovem por "O Quarto de Jack" no 21º Annual Critics' Choice Awards, em Santa Monica, Califórnia. 17 de janeiro de 2016. REUTERS/Danny Moloshok