Diretor italiano relata hesitação ao filmar morte de refugiados para documentário "Fuocoammare"

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016 12:34 BRST
 

Por Michael Roddy

BERLIM (Reuters) - O cineasta Gianfranco Rosi disse ter hesitado em filmar as cenas horripilantes de refugiados africanos morrendo sufocados e envenenados por vapor de diesel em um barco no documentário "Fuocoammare" (Fogo no mar), que compete no Festival Internacional de Cinema de Berlim.

As imagens feitas na costa da Líbia, entre elas as tomadas de corpos abaixo dos conveses de pesqueiros superlotados, são tão fortes que muitas pessoas engasgaram durante a exibição do filme na capital alemã.

    O diretor italiano nascido na Eritreia, cujos filmes com frequência tratam de pessoas incomuns, disse ter gravado durante um ano na ilha italiana de Lampedusa, que se tornou um porto de chegada de refugiados devido à sua proximidade com o norte da África.

    Ele também saiu em patrulha com embarcações italianas em busca de barcos de refugiados. Em uma das incursões, ele se deparou com um barco repleto de centenas deles, muitos já mortos após meras cinco horas no mar.

    Rosi contou que, a princípio, sentiu "pudor" e ficou dividido sobre filmar ou não o que acontecia.

    "Eu disse 'não posso filmar isso', mas a tragédia estava ali diante de mim, e eu fiquei meio que lutando comigo mesmo para não olhar o que estava acontecendo diante dos meus olhos", disse Rosi à Reuters.

    "Aí eu disse 'tenho que mostrar isso, porque é como estar diante de uma câmara de gás depois da guerra (Segunda Guerra Mundial) e não filmar porque é muito chocante, a cena em si'".

    "Estas pessoas morreram por causa do vapor do gás do motor, e isso acontece todos os dias, coisas assim", disse.