Rebelde do Mali comandou destruição de santuários de Timbuktu, diz promotoria do TPI

terça-feira, 1 de março de 2016 11:40 BRT
 

Por Thomas Escritt

AMSTERDÃ (Reuters) - Um combatente islâmico causou danos irreparáveis à herança cultural africana ao destruir santuários religiosos da antiga cidade de Timbuktu durante o conflito de 2012 no Mali, disseram promotores internacionais nesta terça-feira.

Ahmad al-Faqi al-Mahdi, ex-estudante de pedagogia, liderou e participou pessoalmente dos ataques a nove mausoléus e mesquitas na cidade com picaretas e pés de cabra, afirmaram promotores do Tribunal Penal Internacional (TPI).

Al-Mahdi –um cidadão de etnia tuaregue que os promotores disseram pertencer ao grupo militante Ansar Dine, aliado da Al Qaeda no Magreb Islâmico– é a primeira pessoa a ser acusada pela corte de destruir artefatos culturais.

"Este crime afeta a alma e o espírito das pessoas", disse a promotora Fatou Bensouda, comparando os ataques ao local sagrado à destruição causada por militantes do Estado Islâmico em Palmira, na Síria, e à dilapidação das estátuas de Buda em Bamiyan, no Afeganistão, levada a cabo pelo Taliban em 2001.

"Estes eram locais dedicados à religião e monumentos históricos, e não constituíam objetivos militares", disse ela, acrescentando que sua destruição atingiu "a parte mais profunda e íntima de um ser humano, a sua fé".

Na audiência, os promotores precisam convencer os juízes, liderados pela queniana Joyce Aluoch, de que reuniram indícios suficientes para justificar um julgamento.  

 
Destroços de mausoléu antigo destruído por militantes islâmicos em Timbuktu. 25/07/2013 REUTERS/Joe Penney