ESTREIA–Will Smith interpreta pioneiro médico em “Um Homem Entre Gigantes”

quarta-feira, 2 de março de 2016 16:29 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Dirigido pelo jornalista premiado Peter Landesman, o drama “Um Homem Entre Gigantes” tenta concretizar-se como um exemplar do cinema-denúncia, recorrendo a uma dramática história real com um herói que é, na verdade, um homem comum – o médico nigeriano Bennet Omalu, interpretado com o carisma e dedicação habituais por Will Smith.

A esta altura, não é segredo para ninguém que Smith – e sua mulher, Jada Pinkett Smith – esperavam para ele uma indicação ao Oscar pelo papel deste médico, cujas pesquisas permitiram associar as mortes precoces e doenças de diversos jogadores de futebol americano com sua prática do violento esporte, com frequentes e violentos choques na cabeça provocando encefalopatia traumática crônica. Uma condição igualmente encontrada em outros esportistas, como boxeadores.

A não-indicação foi uma das razões para o casal encabeçar um boicote à premiação do Oscar, no último domingo, que foi marcada pela discussão em torno da falta de diversidade racial e étnica.

Independentemente desta polêmica externa, o filme é uma oportunidade de ouro para Smith desenvolver sua extraordinária capacidade de criar empatia, figurando num filme genial ou não – neste caso, não. Ele encarna com garra o papel de Omalu, um imigrante estudioso, acumulando diplomas para exercer, com gosto, a função de neuropatologista forense num hospital público de Pittsburgh.

A grande paixão de Omalu é descobrir as causas de mortes misteriosas. Ele não vê seu trabalho maquinalmente, ou seus “pacientes” como meros corpos – tanto que descobre seus nomes e tem o curioso costume de “conversar” com cada um deles, pesquisando exaustivamente os detalhes por trás de seu falecimento.

Hábitos desse tipo rendem problemas de convivência a Omalu, inclusive no próprio trabalho, onde seu chefe, Cyril Wecht (Albert Brooks), é seu único aliado. Omalu não tem realmente amigos, muito menos namorada, dia e noite dedicado ao trabalho.

O episódio que vira sua vida do avesso é a morte de um famoso jogador de futebol, Mike Webster (David Morse). Ele foi um grande campeão de um time local, os Pittsburgh Steelers, mas nos últimos anos tornou-se um marginal. Com misteriosos problemas de saúde, seu comportamento tornou-se instável, eventualmente violento. Ele separou-se da família, consumiu todo dinheiro que tinha, afundando em consumo de substâncias tóxicas.

A morte precoce deste atleta, de apenas 50 anos, intriga Omalu. A partir da pesquisa de seus tecidos cerebrais, ele prepara para sua grande descoberta, associando a violência do esporte com os males que vitimam não só Webster, como outros esportistas.

Trafegando bem pelo jargão médico, sem torná-lo obscuro, nem excessivo, o filme procura delinear o perfil de um herói abnegado, que não aspira nem fama, nem fortuna, apenas conhecimento que melhore a vida de outros. Para isso, ele conta com o chefe, Cyril, e recebe um inesperado apoio de um ex-médico do clube dos Steelers, Julian Bailes (Alec Baldwin).   Continuação...

 
Will Smith chega para evento em Nova York.  16/12/2015.    REUTERS/Mike Segar