ESTREIA-Visual elaborado e 3D enriquecem a história simples da animação “Kung Fu Panda 3”

quarta-feira, 2 de março de 2016 16:42 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Após um intervalo de cinco anos, “Kung Fu Panda 3” retoma a trilogia de animação com fôlego suficiente para se apresentar como um bom capítulo final. Com um apuro visual deslumbrante, o longa de Jennifer Yuh, que esteve à frente do filme anterior, e Alessandro Carloni, animador estreante como diretor, compensa suas fraquezas narrativas com um simpático humor, ainda que, às vezes, repetitivo.

Porém, este não é o fim para a franquia iniciada em 2008, que conta com especiais e desenhos animados na TV. O diretor-executivo da DreamWorks já afirmou que o estúdio planeja contar a saga do improvável Dragão Guerreiro em seis produções. Se a história do panda Po (voz de Lúcio Mauro Filho na dublagem brasileira e de Jack Black na original) ainda terá força para se sustentar em mais três aventuras é uma dúvida que só o tempo irá confirmar. Mas é certo que, aqui, ela garante um agradável entretenimento.

Com a rápida aparição do pai biológico do protagonista no final de “Kung Fu Panda 2” (2011), Li (Bryan Cranston na versão legendada) aparece no Vale da Paz neste terceiro capítulo, à procura de seu rebento. A sua chegada deixa o Sr. Ping (James Hong) ainda mais apegado ao filho adotivo, tornando a superproteção do ganso cozinheiro ao panda mais significativa e engraçada frente à nova figura paterna que surge.

No entanto, antes de tentar lidar com seus problemas familiares, o Dragão Guerreiro precisa cumprir a tarefa de Shifu (Dustin Hoffman) de se tornar um professor de kung fu. Ainda por cima, tem de enfrentar o terrível Kai (J.K. Simmons), ex-aprendiz do mestre Oogwai (Randall Duk Kim) que fora mandado para o Reino dos Espíritos pela sábia tartaruga, mas fugiu de lá para roubar o “chi” – força vital de cada ser que é fonte de poderes cada vez maiores – de vários mestres da arte marcial e dominar a Terra.

A trama só engrena a partir do segundo ato, com a chegada de Po à Vila Secreta dos Pandas, escondida entre altas montanhas. O motivo, embora possa ser parcialmente creditado aos habitantes de lá, particularmente aos fofos bebês pandas, se deve à funcionalidade do humor utilizado daí em diante.

O simplório roteiro de Jonathan Aibel e Glenn Berger, responsáveis pelos scripts dos anteriores, investe mais no lado cômico do que na aventura em si. Fora o protagonista, o desenvolvimento dos personagens é mínimo e os Cinco Furiosos – Tigresa (Angelina Jolie), Macaco (Jackie Chan), Louva-Deus (Seth Rogen), Víbora (Lucy Liu) e Garça (David Cross) – são relegados a escassas participações na história.

Com um elenco estelar, incluindo as vozes de quatro dos filhos de Angelina com Brad Pitt como os pequenos pandas, a animação continua voltada ao público infanto-juvenil, reforçando a moral da franquia de valorizar as habilidades de cada um e utilizá-las para o bem comum – sem almejar oferecer mais do que leves risadas para os pais e outros adultos. Os mais velhos poderão interessar-se pela riqueza visual da produção, quesito no qual a direção de Yuh e Carloni consegue um grande avanço, que supera o ótimo uso do 3D, fazendo valer a pena o ingresso.

(Por Nayara Reynaud, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
Jack Black posa ao lado de um mascote do personagem que ele interpreta, Po, no lançamento da animação "Kung Fu Panda 3"em Hollywwokd, Califórnia  16/07/ 2016.  REUTERS/Mario Anzuoni