31 de Março de 2016 / às 12:23 / um ano atrás

Húngaro Kertész, sobrevivente de Auschwitz e Prêmio Nobel de Literatura, morre aos 86 anos

Escritor húngaro Kertész comemora Nobel em Berlim 10/10/2002 REUTERS/Arnd Wiegmann/Files

BUDAPESTE (Reuters) - Imre Kertész, romancista húngaro e sobrevivente de Auschwitz que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 2002, morreu na quinta-feira aos 86 anos de idade após uma longa doença, relatou a agência estatal de notícias MTI citando seu editor.

Kertész conquistou o Nobel por obras que os juízes do prêmio disseram mostrar os campos de extermínio nazistas como “a verdade definitiva” sobre a que ponto os seres humanos podem se rebaixar.

    Como judeu perseguido pelo nazismo, e depois escritor vivendo na repressiva Hungria comunista, Kertész foi vítima de alguns dos piores flagelos do século 20 e escreveu sobre o tema em uma prosa ao mesmo tempo direta e delicada.

    Ele recebeu o prêmio de 1 milhão de dólares por “uma escrita que exalta a experiência do indivíduo diante de uma história bárbara e arbitrária”, afirmou a Academia Sueca do Nobel ao lhe conceder a maior honraria da literatura.

    Em suas obras, Kertész volta repetidamente à experiência de Auschwitz, o campo na Polônia então ocupada pelos nazistas onde mais de 1 milhão de judeus e outras vítimas do Terceiro Reich de Hitler morreram.

    “Ele é uma das poucas pessoas que conseguem descrever isso de uma maneira que é imediatamente acessível a nós, (aqueles) que não compartilharam essa experiência”, afirmou Horace Engdahl, secretário permanente da academia, em 2002.

Nascido em Budapeste m 1929, Kertész foi deportado a Auschwitz em 1944, e de lá para o campo de concentração de Buchenwald, no leste da Alemanha, cujos prisioneiros foram libertados pelas forças dos Estados Unidos no ano seguinte. Ele voltou à sua terra natal e trabalhou como jornalista, mas perdeu o emprego em 1951 quando seu jornal adotou a linha do Partido Comunista.

    Kertész foi o primeiro húngaro a conquistar o Prêmio Nobel de Literatura, mas alguns de seus compatriotas já receberam a honraria na área da ciência.

    Ele passou a maior parte da década pós-Nobel em Berlim, onde escreveu seus últimos livros, e mais tarde retornou a Budapeste. Ele sofria do mal de Parkinson e raramente saía de sua casa na capital húngara.

    (Reportagem adicional de Gergely Szakacs)

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