ESTREIA-“Decisão de Risco” investiga conflitos militares na era da globalização e tecnologia

quarta-feira, 6 de abril de 2016 19:47 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Há em “Decisão de Risco”, de Gavin Hood (“Infância Roubada”), alguns momentos que lembram “Dr. Strangelove...”, de Stanley Kubrick – especialmente aqueles que acontecem em torno de uma mesa de discussão.

O fato de nenhum personagem dizer nesse filme: “Senhores, essa é a Sala de Guerra. Vocês não podem brigar aqui” é um indicador de que o diretor não mira na sátira escrachada como o clássico de Kubrick – mas, nem por isso, deixa de encontrar o humor (involuntário e negro) que emerge de uma situação tensa.

Com roteiro assinado por Guy Hibbert, o longa acompanha momentos apreensivos envolvendo a decisão de bombardear ou não uma casa onde há um grupo de terroristas em Nairóbi, no Quênia. A construção do suspense se dá em diversos níveis, como a hierarquia que deve aprovar ou não a ação.

A personagem central – se é que há um protagonista aqui, dado o equilíbrio da narrativa – é a coronel Katherine Powell, interpretada por Helen Mirren.

Ela está no comando de uma operação que visa capturar uma inglesa que se envolveu com terroristas do Shabab. Perseguindo a mulher por anos – sem sair da Inglaterra, e usando a mais avançada tecnologia – a militar encontra a situação perfeita para prender seu alvo. Primeiro, no entanto, precisa da confirmação de que essa é realmente quem procura.

A situação, porém, complica-se quando, por meio de um besouro mecânico com uma câmera acoplada, sua equipe “entra” na casa onde estão a mulher e outros terroristas, e descobre que eles preparam um ataque suicida – há coletes e bombas preparados num cômodo.

Simplesmente prendê-los não é mais viável. Sua ideia é bombardear a casa usando um drone – comandado por um militar nos Estados Unidos (Aaron Paul).

Mas a coronel não pode simplesmente dar a ordem – apesar de saber contar com o apoio dos governos dos EUA, Inglaterra e do próprio Quênia. Há uma cadeia de autorizações necessárias, e que precisam ser obtidas rapidamente – pois os terroristas se aprontam para sair da casa rumo a um local presumivelmente repleto de gente.

O primeiro a quem ela contata é um tenente-coronel (Alan Rickman, morto em janeiro passado, aqui em um dos seus últimos trabalhos). Ele está reunido com um grupo de políticos e assessores (entre eles Jeremy Northam e Monica Dolan), e também depende da autorização deles, que, por sua vez, não querem arcar com o peso desta decisão sobre suas costas.   Continuação...

 
Atriz Helen Mirren no tapete vermelho do prêmio "Die Goldene Kamera", em Hamburgo
06/02/2016 REUTERS/Morris Mac Matzen