ESTREIA-Julianne Moore e Ellen Page estrelam drama sobre direitos LGBTT

quarta-feira, 20 de abril de 2016 16:28 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Um dos marcos mais tocantes na luta pela igualdade de direitos da comunidade LGBTT dos Estados Unidos é, sem dúvida, o caso de Laurel Hester contra a cidade de Ocean County, Nova Jersey, em 2005, mostrado no filme “Amor Por Direito”.

Condecorada detetive de polícia, com 23 anos de experiência, ela foi diagnosticada com câncer terminal e teve que lutar, não apenas contra o próprio destino, mas contra o conservadorismo local para deixar sua pensão à companheira, Stacie Andree.

No centro da discussão estava o direito à igualdade. Laurel e Stacie moravam juntas, reconstruíram uma casa onde viviam e eram legalmente “domestic partners” (companheiras domésticas), a união estável americana. Quando se viu à beira da morte, quis colocar sua companheira como beneficiária da pensão proveniente dos anos de polícia, mas o caso foi julgado improcedente por ser um casal homoafetivo. Era o início de uma longa batalha.

Essa luta foi o foco do filme “Freeheld” (de Cynthia Wade), que recebeu o Oscar de melhor documentário curta-metragem em 2008, pela sensibilidade com que tratou o tema. Um prêmio que evidenciava a força de uma narrativa bem montada, mas também um senso de justiça, o que motivou o roteirista Ron Nyswaner, de “Filadélfia” (1993), indicado ao Oscar de melhor roteiro original, a levar mais uma vez este drama humano às telas.

Dirigido por Peter Sollett, conhecido pela celebração indie adolescente “Uma Noite de Amor e Música” (2008), o drama “Amor por Direito” tenta se ater aos fatos. Laurel (Julianne Moore) e Stacie (Ellen Page) vivem o casal, que se mantém às escondidas com receio de que assumir o relacionamento prejudicaria na carreira policial. Posição, aliás, unilateral da detetive.

Nas cenas tratadas supostamente como fatos, Nyswaner e Sollett, em um primeiro momento, tentam fazer quem assiste identificar-se com Laurel. Uma excepcional detetive, ela vive para defender a comunidade de traficantes e assassinos, ao lado do parceiro Dane (Michael Shannon).

Com o envolvimento cada vez maior com Stacie (19 anos mais nova) – tratado de maneira bastante frágil –, a trama ganha seu real significado e volta-se para o casal. Elas constroem um lar, sujeitam-se às restrições da lei (não podem casar, mas celebram uma união legalmente capenga), até a saúde de Laurel ditar o futuro.

O isolamento e invisibilidade delas são quebrados pelo advogado de direitos humanos Steven Goldstein (Steve Carell), personagem um tanto caricato, tendo em vista a postura de quem o inspirou. De um caso particular (e isso o filme mostra), a comunidade LGBTT o transforma em ícone. Não se trata mais de uma luta por igualdade, mas também sobre a legalidade do casamento entre pessoas do mesmo dito gênero.

No drama tirado da vida real, Julianne Moore mais uma vez emociona. Ellen Page – que atribuiu à experiência em trabalhar neste filme a de assumir a própria sexualidade – também invade a tela com sua interpretação reservada de Stacie. E Shannon, no papel daquele que jamais se pensa como aliado, dá coesão a este trio em busca de justiça.   Continuação...

 
Julianne Moore, que está no filme “Amor Por Direito”. 28/2/2016.  REUTERS/Lucas Jackson