ESTREIA-“O Dono do Jogo” redescobre talento de ex-Homem-Aranha

quarta-feira, 27 de abril de 2016 16:08 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Gênios são temperamentais e se acostumam a excentricidades, como mostra o filme independente “O Dono do Jogo”, de Edward Zwick (“O Diamante de Sangue”). Baseado na vida de Robert James "Bobby" Fischer, a produção retrata o homem à beira de um ataque de nervos, ao enfrentar uma oposição muito maior do que o jogo em si: a política.

A questão já havia sido abordada no documentário “Bobby Fischer Against the World” (de Liz Garbus, em 2011). Apontava os fatores emocionais e políticos do americano Bobby, que, em meio à Guerra Fria (1972), enfrentaria o mais ardiloso adversário soviético Boris Spassky (Liev Schreiber). Há um contexto maior aqui, dentro de uma ideia de que perder não era uma consequência, mas um desajuste entre sistemas de poder.

Tobey Maguire, que imprime o pesadelo de Bobby em uma atuação que o distancia, mais uma vez, da franquia “Homem-Aranha” (como fez em “O Segredo de Berlim”), injeta vigor nos desafios do jogador. Da infância genial, esta com os atores mirins Aiden Lovekamp e Seamus Davey-Fitzpatrick, à fase adulta (com Maguire), vencer é seu objetivo, o que inclui colocar em xeque seu relacionamento com a mãe Regina (Robin Weigert).

Mas nada parece ser problema com Paul Marshall (Michael Stuhlbarg), um advogado, que defende a presteza do jogador e William Lombardy (Peter Sarsgaard), um padre católico que o treina quando jovem. Toda a capacidade emocional do estridente Bobby é testada com o desafio soviético.

Entre a história real e a versão cinematográfica, Edward Zwick, apoiado pelo roteirista Steven Knight (do contagiante “A 100 Passos de Um Sonho”), cria um melodrama tradicional, cujo objetivo é eletrizar a audiência com o destempero do protagonista para chegar ao resultado final (e real) desta história.

Bobby foi incensado pela mídia, na época, para traduzir jogadas em atos políticos pela democracia e estado de direito. Conseguiu. O filme tenta falar do homem por trás disso, mas se depara com a realidade de um personagem pouco convencional. Como o próprio Tobey Maguire, uma excelente escolha para a produção.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
Diretor Zwick e ator Tobey Maguire posam em divulgação do filme em Los Angeles. 23/8/2015.     REUTERS/Phil McCarten