Orquestra russa irá tocar em anfiteatro de cidade síria arrasada pelo Estado Islâmico

quinta-feira, 5 de maio de 2016 12:02 BRT
 

MOSCOU (Reuters) - A famosa orquestra do Teatro Mariinsky da Rússia irá realizar um concerto de música clássica no anfiteatro da cidade síria de Palmira ainda nesta quinta-feira, pouco mais de um mês após ataques aéreos russos ajudarem a repelir militantes do Estado Islâmico da localidade.

O Kremlin informou que o concerto, que será regido por Valery Gergiev, grande apoiador do presidente russo, Vladimir Putin, é uma maneira brilhante de mostrar solidariedade com as forças russas que combatem na Síria, assim como ao Exército sírio.

"Os mestres da cultura estão demonstrando sua solidariedade ao enfrentar estes combatentes terroristas", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a repórteres em Moscou antes da apresentação. "Isso, é claro, merece os maiores elogios".

O evento, que será realizado no anfiteatro romano da antiga cidade, será chamado "Com uma prece sobre Palmira. A música ressuscita os muros antigos", e deve começar às 17h do horário moscovita, informou o Teatro Mariinsky em seu site.

O Estado Islâmico usou o anfiteatro como local para realizar execuções públicas.

Forças especiais da Rússia convocaram uma ofensiva aérea em março para ajudar o governo sírio a retomar Palmira, que mais tarde engenheiros russos livraram de minas terrestres. Moscou também informou que seus especialistas estão prontos para restaurar a localidade, que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) tombou como patrimônio mundial e que foi parcialmente destruída pelos militantes.

O concerto desta quinta-feira possui ecos de uma apresentação semelhante, também regida por Gergiev, em agosto de 2008, quando o Mariinsky tocou diante do parlamento bombardeado da autoproclamada República da Ossétia do Sul, após forças russas derrotaram o Exército da Geórgia em uma guerra de curta duração pelo território.

    (Por Dmitry Solovyov)

 
Monumentos vistos na cidade histórica de Palmira, na Síria.    06/04/2016       REUTERS/Omar Sanadiki