ESTREIA-“Angry Birds” surpreende ao adaptar game com pássaros raivosos e porcos verdes

quarta-feira, 11 de maio de 2016 15:09 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Quando uma produtora finlandesa lançou “Angry Birds” em 2009, o aplicativo do viciante jogo virou uma febre. Quase todos os smartphones tinham os tais pássaros raivosos que, inexplicavelmente, não voam, mas são lançados por estilingue para abater seus inimigos, os porcos verdes, com o impacto e suas habilidades únicas.

Ao ser anunciada a produção de um longa-metragem sobre o game, a possibilidade de sair algo interessante de uma plataforma com uma história tão mínima e exótica parecia remota. Contudo, “Angry Birds: O Filme” supera as baixas expectativas ao apostar na personalidade e não no poder de cada animal.

Como um típico filme de origem, o público é apresentado à ilha dos pássaros, uma comunidade que vive em alegre harmonia, onde Red (Jason Sudeikis dá voz ao personagem mais icônico do jogo, dublado por Marcelo Adnet na versão brasileira) destoa. Após um incidente em um chocaversário – o texto está sempre trabalhando com trocadilhos –, o passarinho vermelho é condenado a fazer terapia em grupo para controlar sua raiva.

As sessões conduzidas pela quase zen Matilda (Maya Rudolph/Dani Calabresa) são divididas com seus colegas esquentadinhos: o hiperativo e veloz Chuck (Fábio Porchat novamente dublando um personagem que Josh Gad deu voz, numa versão do Olaf depois de tomar mil copos de café, guaraná e energético); o amigável, mas às vezes estourado, Bomba (Danny McBride/Mauro Ramos); e o lacônico Terêncio (Sean Penn grunhindo no original).

A tranquilidade do local, porém, é alterada com a chegada de um navio, que traz Leonard (Bill Hader/Guilherme Briggs) e seu bando de porcos verdes. Aparentemente pacíficos, eles encantam os habitantes da ilha com suas parafernálias tecnológicas e apresentações country ao som de Blake Shelton. A exceção é Red, o único que vê segundas intenções na vinda dos forasteiros e busca ajuda do soberano mítico, mas desaparecido há anos, Mega Águia (Peter Dinklage).

Jon Vitti, roteirista de “Os Simpsons” e os dois primeiros “Alvin e os Esquilos”, faz um trabalho mais próximo deste último, com uma trama simples a partir de uma premissa maluca e incompleta, porém sem a mesma eficiência e crítica encontradas em “Uma Aventura Lego”, por exemplo, que tinha muito menos como ponto de partida. No entanto, seu grande êxito está no desenvolvimento dos personagens, que vão além de meros animais coloridos com algum poder específico. Tanto que as habilidades de vários deles só vão aparecer no clímax, quando o terceiro ato traz a dinâmica do jogo para a tela.

Com o humor físico típico de seu material original e dos desenhos animados clássicos da TV – aliás, o canal Gloob exibe as séries “Angry Birds Toons”, “Stella” e “Piggy Tales”, que fazem parte da franquia –, o texto também flerta com o escatológico e piadas referenciais adultas, que vão de “Cinquenta Tons de Cinza” a “O Iluminado”. Neste sentido, é preciso elogiar a dublagem nacional, dirigida por Manolo Reis, por trazer um timing mais atual nos “cacos” brasileiros, que citam até o Zika vírus, do que alguns diálogos originais.

O humor físico vai conquistar as crianças; tem versão da Demi Lovato de “I Will Survive” para os jovens e os adultos se identificarão com o espírito de Red em seu estresse do cotidiano. Por isso, a chance do sucesso da franquia de jogos se repetir no cinema é alta e, obviamente, o filme deixa aberta a porta de uma possível sequência.

(Por Nayara Reynaud, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
Ator Blake Shelton posa com personagens de "Angry Birds" em Los Angeles. 7/5/2016.   REUTERS/Mario Anzuoni