ESTREIA-No excêntrico “A Vingança Está na Moda”, Kate Winslet volta à cidade natal para desvendar crime

quarta-feira, 18 de maio de 2016 19:42 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Para fazer uma analogia com o próprio mundo que “A Vingança Está na Moda” aborda, o filme estrelado por Kate Winslet seria aquele modelito difícil de definir por sua mistura de elementos que, a princípio, traz uma surpreendente harmonia em sua diversidade, até que os ajustes de última hora exibem o exagero nos adereços e acessórios finais.

O novo longa de Jocelyn Moorhouse, cineasta australiana que volta após um grande hiato em sua carreira --sua última direção foi em 1997, com “Terras Perdidas”, e o derradeiro roteiro em 2002, com “Amor a Toda Prova”--, é uma fusão de gêneros beirando o absurdo até cair em um confuso abismo.

Adaptação do livro de Roselie Ham, publicado com grande sucesso na Austrália, em 2000, a produção traz para as telas o Outback, como é conhecido o interior desértico daquele país, por meio da fictícia Dungatar. É para lá que retorna a modista Myrtle Dunnage (Kate Winslet), para usar a linguagem corrente dos anos 1950, quando se passa a história.

Expulsa da pequena cidade quando criança, por acreditarem que matou o menino Evan Pettyman, filho do prefeito que fazia bullying com ela e outros colegas, “Tilly” reaparece com a intenção de descobrir o que aconteceu, já que não se recorda muito do incidente, mas tem certeza de sua inocência.

A vingança destacada no título brasileiro vem por meio dos vestidos criados pela estilista --os figurinos de Margot Wilson e Marion Boyce são obviamente um destaque na produção--, que primeiro a ajudam a atrapalhar o jogo de rúgbi local e depois promovem uma transformação na acanhada Gertrude Pratt (Sarah Snook) que parece fazer a população esquecer seu passado.

Mas muitas coisas ainda vão acontecer em sua estadia em Dungatar, especialmente na convivência conturbada com sua eremita e esquecida mãe, Molly (Judy Davis).

O roteiro escrito por Moorhouse com o marido P.J. Hogan, de “O Casamento de Muriel” (1994) e “Peter Pan” (2003), traz a sucessão de eventos do livro em uma combinação de melodrama com comédia screwball --ou maluca, na qual o inusitado dá o tom-- e toques de policial, noir e até faroeste.

A estranha miscelânea de gêneros, que parece compor uma unidade graciosa no início, se mostra não tão homogênea até entrar em descompasso no terceiro ato.

Se Jocelyn erra a mão na dose e abordagens, ao menos, tem em mãos um bom elenco para sustentar a trama em suas derrapadas. Mesmo longe das performances que lhe deram um Oscar e mais seis indicações, Winslet hipnotiza como uma verdadeira mulher fatal popularizada pelos filmes daquela época, como o clássico de Billy Wilder, “Crepúsculo dos Deuses” (1950), que sua protagonista vai ver com o jovem Teddy (Liam Hemsworth vivendo um interesse romântico bem diferente de seu Gale de “Jogos Vorazes”).   Continuação...

 
Kate Winslet posa para fotógrafos no 88º Academy Awards, em Hollywood
28/02/2016 REUTERS/Adrees Latif