Ex-oficial militar do Chile é considerado responsável por morte do cantor Victor Jara em 1973

segunda-feira, 27 de junho de 2016 19:41 BRT
 

(Reuters) - Um tenente do Exército comandado pelo falecido ditador chileno Augusto Pinochet foi considerado responsável por um júri da Flórida, na segunda-feira, pela tortura e assassinato do cantor popular Victor Jara em 1973, e terá que pagar 28 milhões de dólares em danos, disseram os advogados da família da vítima.

O júri do tribunal federal civil em Orlando considerou Pedro Pablo Barrientos Nunez responsável pela tortura e execução de Jara nos dias seguintes à derrubada do presidente esquerdista Salvador Allende por Pinochet.

"Tem sido uma longa jornada em busca de justiça pela morte de Victor. Suas canções continuam a ser cantadas hoje, e inspirar artistas e aqueles que buscam a justiça social", disse a viúva de Jara, Joan Jara, de 88 anos de idade, em uma declaração por escrito após o veredicto.

"Para Victor, arte e justiça social eram a mesma coisa. Hoje existe alguma justiça pela morte de Victor, e para os milhares de famílias no Chile que procuraram a verdade", disse Joan Jara.

De acordo com documentos judiciais chilenos, Victor Jara foi morto a tiros por soldados no Estádio Nacional do Chile, que serviu como um centro de detenção em massa e de tortura nos primeiros dias do governo militar.

Jara inspirou artistas como Bruce Springsteen, The Clash e U2 e sua morte logo se tornou um poderoso símbolo dos abusos da época. Durante o governo de Pinochet, que durou até 1990, estima-se que 3.200 pessoas foram mortas e 28.000 torturados pelo Estado.

Em 2013, o Centro de Justiça e Responsabilidade (CJA), uma organização dedicada à prevenção de graves violações dos direitos humanos, entrou com uma ação civil contra Barrientos, que agora vive em Deltona, Flórida, em nome da viúva e filhas de Jara.

 
Cantor chileno Victor Jara, que foi torturado e morreu durante a ditadura militar do General Augusto Pinochet, é visto nesta foto sem data 
27/06/2016