Kiarostami, mestre do cinema iraniano pós-revolução, morre aos 76

segunda-feira, 4 de julho de 2016 19:53 BRT
 

Por Babak Dehghanpisheh

BEIRUTE (Reuters) - Abbas Kiarostami, o diretor que mostrou que o cinema iraniano é um dos mais envolventes emocionalmente e originais do mundo, morreu em Paris na segunda-feira aos 76 anos de complicações relacionadas ao câncer, segundo a imprensa estatal iraniana.

Parte de uma nova onda do cinema iraniano, que começou na década de 1960 e ficou conhecida por histórias realistas voltadas para as vidas de pessoas comuns, Kiarostami foi um dos poucos cineastas a permanecer e prosperar no Irã após a Revolução Islâmica de 1979.

Apesar de temas iranianos muito locais, seus filmes atingiram o público global, e Kiarostami ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1997 por "Gosto de Cereja", sobre um homem de meia idade iraniano que planeja cometer suicídio e sai à procura de alguém para enterrá-lo quando ele estiver morto.

"O que é peculiar sobre sua arte é que ele é tanto um artista enraizadamente iraniano em termos de sua paisagem, sua sensibilidade urbana, o seu cinema", disse Hamid Dabashi, professor de estudos iranianos na Universidade de Columbia, em Nova York.

"Mas ele também conseguiu elevar esses aspectos iranianas para momentos de universalidade."

O diretor norte-americano Martin Scorsese disse que "Kiarostami representa o mais alto nível de arte no cinema".

Nascido em Teerã em 1940, Kiarostami estudou na Escola de Belas Artes da Universidade de Teerã. Sua primeira incursão no vídeo foi fazendo comerciais para a TV iraniana.

Após a revolução de 1979 que derrubou a monarquia do Irã e marcou o início de um sistema islâmico de governo, Kiarostami escolheu ficar enquanto muitos artistas e escritores fugiram do país.   Continuação...

 
O diretor Abbas Kiarostami fala durante uma coletiva de imprensa do filme "Like Someone in Love", que compete no 65º Festival de Filmes de Cannes, em 21 de maio de 2012. REUTERS/Vincent Kessler/File Photo