ESTREIA-Movimento feminista pincela romance entre jovem camponesa e professora em francês “Um Belo Verão”

quarta-feira, 6 de julho de 2016 16:41 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Centrado em um relacionamento homossexual, temática já explorada pela cineasta francesa Catherine Corsini em “La Répétition” (2001), “Um Belo Verão” procura uma abordagem moderna.

Até surgirem os carácteres indicando a mudança da protagonista para a Paris de 1971, as cenas campestres nos primeiros minutos não deixam claro ao espectador desavisado que se trata de um filme de época.

Mesmo a seleção de músicas do período, majoritariamente de intérpretes femininas, de Janis Joplin a Colette Magny, é confrontada com uma canção da banda contemporânea The Rapture, que confere modernidade em uma cena-chave.

O proposital conflito estético que extrapola a trilha sonora só externa os choques que compõem a trama, que capta a efervescência do movimento feminista na França naquele início dos anos 1970 através da paixão arrebatadora da garota do campo Delphine (a cantora de rock e atriz Izïa Higelin) com a urbana e revolucionária Carole (a estrela belga Cécile De France).

A narrativa e o desenvolvimento dos personagens são construídos justamente nas oposições surgidas entre a cidade e o campo, homossexualidade e heterossexualidade, feminismo e submissão, prazer e dever, conformismo social e felicidade pessoal.

A produção exibida no último Festival do Rio e também no Varilux de Cinema Francês, não se estende muito ao apresentar o cotidiano de Delphine em uma fazenda na região de Limousin, onde seu pai (Jean-Henri Compère) a questiona por não arranjar um namorado.

Enquanto isso, ela sofre o fim de seu caso secreto com uma moça, que decidiu se casar com seu noivo, e se esquiva das tímidas investidas do amigo Antoine (Kévin Azaïs, de “Amor à Primeira Briga”). Logo a jovem decide tentar a vida em Paris, onde a agora operária começa a participar das reuniões e ações de um grupo feminista, embora seu interesse esteja, na verdade, na líder Carole.

Apesar de tão progressista, a professora de espanhol que vive com o namorado Manuel (Benjamin Bellecour) teme, a princípio, experimentar pela primeira vez uma nova faceta de sua sexualidade em um relacionamento com uma mulher. Mais consciente e confortável com sua orientação sexual, Delphine, por sua vez, sufoca sua aceitação pessoal pela preocupação pela situação do pai doente, da fazenda familiar e pelo medo da reprovação dos parentes e moradores de sua cidade.

Tal complexidade é um prato cheio para a composição das atrizes principais, com Higelin, de “Samba”, esbanjando química com De France, que, antes de fazer “Além da Vida” (2010) e “O Garoto de Bicicleta” (2011), surgiu em papéis lésbicos marcantes, como em “Albergue Espanhol” (2002).   Continuação...