20 de Julho de 2016 / às 19:57 / um ano atrás

ESTREIA-Ryan Gosling e Russell Crowe se entregam ao humor em comédia policial

Atores Russell Crowe (E) e Ryan Gosling (D) chegam para pré-estreia do filme "Dois Caras Legais" em Londres 19/05/2016 REUTES/Peter Nicholls

SÃO PAULO (Reuters) - Ryan Gosling e Russell Crowe já seriam motivos suficientes para levar o espectador aos cinemas, por se renderem ao escrachado humor de “Dois Caras Legais”.

Mas, de fato, o grande destaque desta produção é o vigoroso trabalho do diretor e roteirista Shane Black, considerado um dos mentores do cinema de ação moderno, depois de escrever os sucessos “Máquina Mortífera”, “O Último Boy Scout” e, mais recentemente, o “Homem de Ferro 3” (que também dirigiu), o melhor da trilogia do herói da Marvel. Imerso no poliéster e suas cores brilhantes na Los Angeles dos anos 1970, o cineasta volta a investir nas típicas novelas norte-americanas detetivescas da década de 1940, como já havia feito em “Beijos e Tiros” (2005). Aliás, “Dois Caras Legais” pode ser avaliada como uma evolução daquela produção, comprovando a maior maturidade narrativa de Black. Embora a ação seja vertiginosa, é na comédia que o filme se relaciona com o público, a partir das desventuras dos protagonistas e das complexas relações entre eventos e pessoas. E para este espaço, é imprescindível o comprometimento dos atores centrais. O que Gosling e Crowe acertam, seja na dinâmica entre eles, seja no timing para o humor, ora negro, ora não-verbal. Na trama bem-amarrada por Black, Jackson Healy (Crowe) é um desses profissionais que pais preocupados contratam para dar “um susto” (violentíssimo) nos garotões que tentam se aproveitar de suas filhas. Um trabalho aparentemente simples, mas que não dá qualquer prazer a ele, como explica na sua narração em off. Paralelamente a isso, o espectador também é apresentado ao detetive particular Holland March (Gosling), que também narra seu próprio ponto de vista. Beberrão e um tanto trapalhão, o azar e sua sabedoria míope provocam risos, como, por exemplo, ao reclamar com um policial sobre o seu trabalho: “Sabe quem apenas seguia ordens? Hitler”. Quando Amelia (Margaret Qualley) procura Jackson para pedir que ele dê fim em um perseguidor, este é ninguém menos que Holland, contratado para encontrá-la. Mas a jovem está envolvida em uma trama obscura de assassinatos de figuras públicas da indústria de cinema pornô, o que obrigará os (anti) heróis a trabalharem juntos para sobreviver e desvendar o caso. Apesar de complexa, a trama se encaixa perfeitamente e não é conveniente, aqui, fundamentar cada elemento do mistério. O grande trunfo é como esses diferentes temperamentos se aproximam e se distanciam, com muito humor, durante toda a história. Um trabalho de texto, direção e atuação que realmente os tornam dois caras legais.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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