ESTREIA-Domingos Montagner encarna marido ciumento e agressivo no drama “Vidas Partidas”

quarta-feira, 3 de agosto de 2016 15:42 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Em 2010, a atriz Naura Schneider produziu o documentário “Silêncio das Inocentes”, sobre a aplicação da Lei Maria da Penha no Brasil. O próprio caso da farmacêutica que ficou paraplégica após ser baleada pelo próprio marido e pai de suas filhas e deu nome à lei, junto com outros relatados no longa, fizeram a atriz lançar-se em novo projeto acerca do tema.

Ela não apenas é produtora, como também protagoniza, ao lado de Domingos Montagner, o drama “Vidas Partidas”, primeiro filme do diretor de TV Marcos Schechtman.

Exibida no Festival de Cinema Brasileiro em Paris deste ano, a produção inspira-se em relatos, incluindo o de Maria da Penha, e estatísticas para criar a dinâmica do casal Graça (Naura Schneider) e Raul (Montagner, de “De Onde Eu Te Vejo”).

A conceituada biomédica e o economista desempregado vivem, junto com suas duas filhas, no Recife dos anos 1980 – onde, curiosamente, ninguém tem o mínimo sotaque.

Aparentemente feliz, o casamento mostra uma simbiose inicial dos dois, particularmente no sexo, que é quebrada com o sucesso da mulher em contraste com as dificuldades dele na carreira.

Sob o olhar da empregada (Georgina Castro), o homem dominador, pincelado desde o trancar das portas na abertura, vai se revelando no ciúme, levando-o a controlar suas amizades, até chegar à violência psicológica e física que arrastam a trama para um tribunal em 1992.

Schechtman afirmou, durante a coletiva de imprensa do longa, que sua intenção não é mostrar “porque uma pessoa entra em uma relação destas, e sim, por que não sai”, valorizando o lado sedutor do esposo – até porque se trata do galã da novela das nove – e o fator familiar nas decisões da protagonista.

Na mesma ocasião, Schneider declarou que a primeira ideia era fazer um filme sobre Maria da Penha, mas foi abandonada porque o que houve com ela não abrangia a totalidade dos casos de violência contra a mulher.

Porém, na tentativa de abarcar todos eles, a construção do Raul como personagem concentrador de todos os males, um crápula completo que simboliza vários agressores do dia-a-dia, acaba resvalando no maniqueísmo que o diretor queria evitar.   Continuação...