ESTREIA–"Esquadrão Suicida" explora charme perverso de vilões

quarta-feira, 3 de agosto de 2016 19:58 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Num mundo em que Superman morreu –como visto no filme “Batman vs. Superman– A Origem da Justiça”, vale tudo. Inclusive os piores criminosos se tornarem um time de justiceiros a serviço do governo. Apostando no encanto ambíguo dos vilões da popular série de quadrinhos homônima, a aventura “Esquadrão Suicida”, de David Ayer, não brinca em serviço.

Com um elenco de peso, o filme não economiza nos efeitos especiais nem na destruição, ressaltados pelo 3D, e ainda tira onda com uma trilha sonora com sucessos retrô.

Quase todos os integrantes deste time do mal são inimigos de Batman (Ben Affleck) – que aparece em algumas cenas, inclusive prendendo um deles, o Pistoleiro (Will Smith), o cara que nunca erra um tiro, mas vacila na hora de atirar no Morcego por causa do pedido de sua filha (Shailyn Pierre-Dixon).

O Pistoleiro, assim, vai parar no presídio de segurança máxima na Louisiana que aparece no começo da história, e onde estão detidos outros malfeitores de alta periculosidade: Arlequina (Margot Robbie), El Diablo (Jay Fernandez), capitão Bumerangue (Jai Courteney) e o Crocodilo (Adewale Akinnuaye-Agbaje).

Mas não está entre os prisioneiros o Coringa (Jared Leto), que funciona na história como elemento perturbador em paralelo, já que não poupa esforços para recuperar Arlequina (que era sua psiquiatra no hospício de onde fugiu). Leto, aliás, deixa para trás seu passado de galã encarnando uma versão do personagem bem mais alucinada do que a vivida pelo falecido Heath Ledger em "Batman: O Cavaleiro das Trevas", de 2008.

Apesar da ficha corrida imensa de todos, justamente por isso são cogitados para integrar um programa ultrassecreto do governo, tocado por Amanda Waller (Viola Davis) –que está enfrentando uma ameaça tremenda com as intervenções da feiticeira Magia, que ocupou como hospedeira o corpo da arqueóloga June Moone (Cara Delevingne). Nem mesmo a posse do coração da feiticeira por parte de Amanda –que o guarda numa caixa sempre ao seu alcance– está conseguindo dominá-la, já que a bruxa consegue aliados para produzir exércitos de seres controlados por ela para instalar o caos e a destruição em Midway City.

Refletindo a ironia amarga deste mundo sombrio, os vilões são convencidos a cooperar com o governo nem tanto pela promessa de redução de suas penas, mas muito mais pela introdução de um mecanismo capaz de explodi-los em seus pescoços –e que pode ser acionado a qualquer momento tanto por Amanda quanto pelo capitão Rick Flag (Joel Kinnaman), que comanda o time marginal.

Flag, no entanto, tem outro interesse pessoal: uma paixão por June e a vontade de arrancá-la das garras da feiticeira.

Misturando esse clima de faroeste delirante e futurista, com um bando de renegados, a um apelo mágico – afinal, alguns dos malvados têm poderes especiais, como o Diablo e suas mãos incendiárias -, o filme de Ayer produz a anarquia barulhenta que se espera de uma aventura inspirada no universo dos quadrinhos.   Continuação...

 
Membros do elenco (E-D) Viola Davis, Will Smith, Margot Robbie, Jared Leto e Joel Kinnaman participam da première mundial de "Esquadrão Suicida" em Nova York, EUA
01/08/2016 REUTERS/Andrew Kelly