ESTREIA–Animação “Pets – A Vida Secreta dos Bichos” aposta na correria

quarta-feira, 24 de agosto de 2016 16:57 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Produtora responsável pelo inesperado sucesso de “Meu Malvado Favorito” (2010) e sua sequência de 2013, a Illumination tenta uma nova investida com a animação “Pets – A Vida Secreta dos Bichos”, que tira sua onda com a atraente fantasia de que os bichos de estimação mantêm uma rotina de aventuras a partir do momento em que seus donos saem de casa.

A narrativa é centrada em Max (voz de Danton Mello), um terrier que vive a vida que pediu a Deus junto com sua dona, Katie. Como cachorro único, ele dispõe de todas as atenções, mimos e agrados e passa o dia esperando que ela volte. O paraíso desaba quando ela chega em casa com outro cachorro, um vira-lata peludo e grandão, Duke (Tiago Abravanel).

Fora o ciúme, há o choque de personalidades – tudo o que Max tem de limpinho e mimado, Duke tem de espaçoso e bagunceiro. O conflito vai provocar que os dois acabem na rua, sendo caçados tanto pelo controle de zoonoses, quanto por um bando de gatos malvados e uma verdadeira quadrilha animal de rejeitados, comandados por um coelho, Bola de Neve (Luís Miranda).

Enquanto isso, os amigos de Max, liderados por sua fã, a cadelinha Gigi (Tatá Werneck), se mobilizam para procurá-lo. Fazem parte deste bando a gata Chloe, o pug Mel, o daschund Buddy, um papagaio e até um falcão, Tiberius (Guilherme Briggs).

Com direção de Yarrow Cheney e Chris Renaud (codiretor de “Meu Malvado Favorito” 1 e 2), a animação mantém-se movimentada com os vários incidentes envolvendo os personagens. Mas o roteiro de Cinco Paul, Ken Daurio, Brian Lynch e Simon Rich não se permite qualquer ousadia no retrato deste mundo animal, insistindo nos surrados clichês contrapondo cachorros fieis e gatos indolentes e/ou violentos.

Em apenas dois personagens este roteiro insere nuances interessantes. É o caso do falcão Tiberius, obrigando-se a dominar seu apetite literal por pequenos animais para engajar-se no salvamento de Max; e também o coelho Bola de Neve que, no entanto, ganhou um perfil exageradamente agressivo, com vocabulário e atitudes eventualmente um tanto criminais demais num filme de censura livre.

Por conta disso, “Pets...” até diverte mas nem sonha em disputar a primazia das produções da Pixar, em termos visuais ou de criatividade. Para os fãs, no entanto, resta uma atração à parte – o curta que antecede o longa e mostra uma aventura dos Minions tentando ganhar uns trocados ao cortar o gramado de uma casa cheia de idosos.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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