Em novo livro, ex-papa Bento 16 diz ter sofrido para tomar decisões no Vaticano

quinta-feira, 8 de setembro de 2016 12:57 BRT
 

Por Isla Binnie

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O ex-papa Bento 16 reconheceu que é melhor professor do que líder, revelando em um novo livro que certas vezes teve dificuldades para tomar decisões durante seu tempo à frente de um Vaticano assolado por escândalos.

Em uma longa entrevista que rendeu um livro, Bento 16, nascido na Alemanha e hoje com 89 anos, disse, porém, que não vê o período de oito anos que viveu como líder espiritual do 1,2 bilhão de católicos do mundo como um fracasso.

Bento 16 renunciou em 2013, tornando-se o primeiro pontífice a fazê-lo em 600 anos e deixando para trás uma igreja manchada por escândalos e enredada na má administração.

Em trechos do novo livro publicados nesta quinta-feira pelo jornal italiano Corriere della Sera, Bento 16 disse que não se sentia à vontade em um papel de liderança.

"Um dos meus pontos fracos é talvez uma falta de determinação em governar e na tomada de decisões. Na verdade sou mais um professor, uma pessoa que reflete e medita sobre questões espirituais", disse Bento 16 no livro "The Last Conversations (As Últimas Conversas, em uma tradução livre)", do jornalista alemão Peter Seewald.   

"A prática de governo não é meu ponto forte, e isso certamente é uma fraqueza. Mas não consigo me ver como um fracasso."

Bento 16 descreveu momentos difíceis, incluindo os escândalos de abusos sexuais infantis cometidos por padres, que ele foi acusado de não fazer o suficiente para deter, e sua anulação da excomunhão de um bispo que nega o Holocausto.

Ele também mencionou o caso "Vatileaks", no qual seu mordomo vazou documentos alegando corrupção no Vaticano, mas disse que, no geral, houve um "movimento positivo" durante seu papado.   Continuação...

 
Ex-papa Bento 16 durante evento no Vaticano.     27/02/2013      REUTERS/Alessandro Bianchi/File Photo