ESTREIA–Suspense coreano “Um Dia Difícil” investe no humor negro

quarta-feira, 14 de setembro de 2016 16:42 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Estreando no Brasil com dois anos de atraso, o thriller cômico sul-coreano “Um Dia Difícil” constrói-se sobre uma agenda de desastres e uma montagem ágil, cujo objetivo é divertir e também não deixar o espectador respirar.

Dirigido e roteirizado por Kim Seong-hun e exibido na Quinzena dos Realizadores de Cannes 2014, o filme tem sua figura central no policial Gun-su (Lee Sun-yun) – que vive o pior dia de sua vida. Seu departamento está sendo investigado por corrupção pela Corregedoria, sua mãe morreu, sua mulher o cobra por falta de atenção com a filha pequena. E, para completar, correndo de um canto para outro, ele atropela um homem.

As soluções que Gun-su encontra para seus não pequenos problemas são tão mirabolantes quanto cada um deles. Assim, aproveitando a escuridão da estrada onde vitimou o aparente mendigo, ele esconde o corpo no porta-malas e decide escondê-lo no caixão da própria mãe. Esta última ideia exige uma operação complicadíssima na casa funerária, como se pode imaginar, criando momento de tensão e humor negro ímpar no filme.

Habilmente, a história vale-se dos pequenos detalhes para aumentar o pânico de seu protagonista – um celular que toca inesperadamente, uma câmera de segurança imprevista e, pior ainda, chamadas telefônicas de um chantagista que garante ter conhecimento do crime de Gun-su na estrada noturna.

Em termos de estilo, o diretor Seong-hun afasta-se da elegância violenta do premiado compatriota Park Chan-wook (“Old Boy”, “Lady Vingança”) para investir mais numa linha de humor negro que o aparenta ao Quentin Tarantino de alguns anos atrás – sem a mesma originalidade.

Mas é fato que o filme é genuinamente divertido, criando impacto em cenas envolvendo carros, explosões e um enfrentamento com um vilão de respeito, o inspetor Jo Jin-wong (Park Chang-min). Mesmo sendo todos policiais, não há heróis por aqui, o que dá bem a medida do cinismo empregado nas tintas da história.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb