Grupos fazem campanha para Obama perdoar Snowden antes de fim de mandato

quarta-feira, 14 de setembro de 2016 20:03 BRT
 

Por David Ingram

NOVA YORK (Reuters) - Três grupos de defesa de direitos lançaram nesta quarta-feira uma campanha para tentar convencer o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a perdoar o ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden das acusações de roubo e espionagem antes de o presidente deixar o cargo em janeiro.

A União Americana de Liberdades Civis (ACLU), a Anistia Internacional e a Human Rights Watch afirmaram que o momento é apropriado para reunir apoio em favor do perdão de Snowden, que vazou para jornalistas em 2013 documentos sobre programas secretos de vigilância, fugiu para Hong Kong e recebeu asilo na Rússia. A ACLU fornece representação legal para Snowden.

Falando nesta quarta-feira via vídeo, Snowden disse em entrevista à imprensa em Nova York que ele estava “confortável com as decisões que tomei”, mas que receber ou não o perdão presidencial não depende dele.

"Eu mesmo não peço um perdão e nunca pedirei”, declarou.

Snowden declarou que não teria um julgamento justo nos EUA porque a lei sob a qual ele foi acusado, o Ato de Espionagem de 1917, não o permite explicar a um júri as razões do vazamento.

"Essa lei da época da Primeira Guerra Mundial não diferencia entre os que livremente dão informações críticas a jornalistas pelo interesse público e espiões que as vendem a uma potência estrangeira para proveito próprio”, disse Snowden, que mora em Moscou.

Um perdão agora pode fazer sentido para Obama, disseram os grupos, porque ele pode estar buscando aprimorar o seu legado e pode ser capaz de agir com menos preocupações políticas. O democrata Obama vai deixar o cargo ao final do seu segundo mandato de quatro anos, em 20 de janeiro.

"Os presidentes normalmente tomam algumas das ações mais difíceis dos seus oito anos no cargo nos meses finais”, disse Anthony Romero, diretor-executivo da ACLU, à imprensa.   Continuação...