Cinemas do Paquistão boicotam filmes indianos em meio a escalada de tensão na Caxemira

sexta-feira, 30 de setembro de 2016 12:46 BRT
 

Por Syed Raza Hassan

KARACHI, Paquistão (Reuters) - Os cinemas do Paquistão pararam de exibir filmes da Índia em "solidariedade" às Forças Armadas do país após uma escalada na violência na Caxemira, território que os dois países possuidores de armas nucleares disputam, disseram proprietários de cinemas paquistaneses nesta sexta-feira.

As tensões entre a Índia e o Paquistão estão altas desde o início de uma operação de repressão de forças de segurança indianas contra a dissidência na parte da Caxemira controlada por Nova Délhi, em julho.

As relações pioraram em setembro depois que militantes mataram 18 soldados em um ataque a uma base do Exército indiano que a Índia atribui aos paquistaneses.

"Paramos de exibir filmes indianos em nossos cinemas a partir desta sexta-feira até que a situação melhore e a normalidade retorne", disse Nadeem Mandviwalla, cuja empresa, a Mandviwalla Entertainment, administra oito salas em Karachi e na capital, Islamabad.

Na quinta-feira a Índia realizou "ataques cirúrgicos" na Caxemira administrada por Islamabad, uma afirmação que o Paquistão repudiou e negou.

No mesmo dia, a Associação Indiana de Produtores Cinematográficos (IMPPA, na sigla em inglês), uma entidade pequena de cineastas, proibiu seus membros de contratarem atores paquistaneses. Mandviwalla e outros donos de cinemas dizem que seu boicote ao Paquistão também é uma reação à medida da IMPPA.

A mídia indiana noticiou que na semana passada o líder de um partido regional de direita, Maharashtra Navnirman Sena, deu a atores paquistaneses 48 horas para deixar a Índia ou ser "empurrados para fora".

O partido, que não estava disponível para comentar, é uma de duas legendas radicais sediadas em Mumbai que vem clamando com frequência para que artistas do Paquistão sejam impedidos de trabalhar em seu país.

(Reportagem adicional de Shilpla Jamkhandikar e Aditi Shah)

 
Pôster de filme indiano visto em cinema em Karachi, Paquistão.    30/09/2016         REUTERS/Akhtar Soomro